Letrux @ opinião - 28/08
Na última sexta-feira de Agosto (28), Letrux pousou em Porto Alegre ao estilo de uma clássica noite de crise climática na cidade, marcada por muito calor, frio e tempestade.
Após pisar em solos gaúchos algumas vezes para apresentar as turnês Em Noite De Climão (2018), Letrux Aos Prantos (2022), Alfabeto Sonoro (2024), 20 Anos Alternativa (2025), a artista Letícia Novaes, acompanhada de sua banda, o guitarrista e produtor Thiago Rebello, e a multi-instrumentista Cristine Ariel, chegou para apresentar o show do álbum SadSexySillySongs, lançado em Março deste ano pelo selo Coala Records.
Depois de cantar as faixas de abertura do disco, revelou ao público que acabara de passar pelo pior voo de sua vida. Gritaria, reza, choro, turbulência, santo. Assim, o show se seguiu ao que pareceu ser um momento de agradecimento por estarmos ali juntos, em um momento de catarse musical e artística. Com a sua babagem teatral sempre presente, a cantora utilizou de suas habilidades para conduzir o show com muito humor e leveza.
Neste momento, Letrux interrompeu a sequência de seu álbum para cantar o single I'm Trying To Quit, no qual grita, logo no início, que está viva. A artista revelou que adicionou essa música no setlist depois do ocorrido, quase como um agradecimento à vida. Além dessa, também deu uma fugidinha para o álbum Aos Prantos com Abalos Sísmicos, ao Mulher Girafa, com Leões e ao já clássico Noite de Climão com Flerte Revival. Essa palhinha das suas obras antigas só ressaltou a diferença entre álbuns e, principalmente shows. A mudança de sonoridade - que partiu de uma energia dançante no início da carreira para algo mais intimista, lento, quase acústico - foi percebida também durante o show. Visualmente a diferença também era evidente. Nas cores, muito exploradas durante a performance, tons mais sóbrios como rosa e, principalmente azul, ocuparam o lugar do vermelho, que reapareceu somente em detalhes como o sutiã e um elemento de mágica, ambos durante músicas do Noite de Climão, um álbum claramente vermelho. O azul que, na psicologia das cores nos remete à tristeza, esteve presente na maior parte do tempo, fazendo jus à parte "sad" do álbum.
Ainda assim mais "silly" do que nunca, Letrux explorou, como sempre, sua teatralidade, com uma presença de palco expressiva, cheia de caras, bocas e gestos a cada nova frase. Seu pézinho no stand-up tornou o show divertidíssimo e íntimo, com pausas para relatos pessoais, conversas com o público e desabafos diversos. Artista!