Leall @ Opinião - 22/05

NOITES TRAIÇOEIRAS

Retornando aos palcos porto-alegrenses, Leall tem noite esquecível em um Opinião lotado.

Fotos por Oscar de Oliveira Isaias


É de se esperar muito comprometimento de quem quer chegar no topo. Sinceramente, eu já acho Leall um vencedor. Mas dentro de uma indústria visceral e devoradora, além do cunho competitivo inerente ao hip-hop, fazer o mínimo não é o bastante.

A apresentação que assistimos, em um Opinião lotado, foi ambivalente. Suficiente para animar uma roda punk no centro do público e promotor de bocejos para todos os outros lados.


A turnê do EP Você Precisa de Um Álibi tinha tudo para causar impacto estonteante e memorável. Um trabalho conciso apresentado ao lado dos hits dos álbuns pregressos, Ainda Tenho Coração e Esculpido a Machado, seria o suficiente. Ao invés disso tivemos uma apresentação curta, de menos de uma hora, em que tudo parecia ser feito para acabar logo.

Além da espera de mais de uma hora e meia para o início da apresentação, a postura do DJ e da produção tornaram tudo mais exaustivo. Brincadeiras como “o homem já tá na casa” seguidas de mais quinze minutos de espera para, vejam, repetir a brincadeira - e não anunciar a entrada do artista, apenas colocam o público como mero pagador de ingresso. A entra de Leall, por mais enérgica que tenha sido, não foi suficiente para balançar muitos dos corpor já cansaços de suas próprias rotinas.

Depois da dupla de músicas iniciais, o show se tornou só mais um. A energia inicial se dissipou, e apenas os perseverantes conseguiram extrair algum suco desse limão azedo. A falta de cenário, a vestimenta cotidiana, somados ao atraso, deram a sensação de falta de preparo e desinteresse que nem um “saí do chão Porto Alegre” ou “que saudade de cantar aqui” conseguem mascarar.

Me abstenho de comentar as músicas, lembro mais da playlist pré-pronta do Opinião e seus videoclipes, que aquela altura já eram incovenientes.

Fotos por Oscar de Oliveria Isaias

PC Peixoto

Narciso às avessas. Meu personagem favorito da Turma da Mônica é o Do Contra. Estudante de Letras, ciclista amadoríssimo, ouvidor de música e visualizador de filme.

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