Duquesa @ Opinião - 04/07
Uma ode ao feminino
O show de Duquesa, que ocorreu no Opinião no último dia 4 de julho, foi praticamente um culto ao feminino e ao “ser mulher”.
Entendo e até concordo com às inúmeras críticas ao termo “rap feminino”, já que o espetáculo não deixa dúvidas que é sim um bom Rap, com beats e rimas ricas que fazem parte do estilo. Porém, o que caracteriza sua música como “rap feminino” é seu público, formado por uma maioria esmagadora de mulheres, além de sua temática, que ressalta e exalta suas vivências, experiências e ambições, sempre colocando mulheres no topo.
Duquesa subiu ao palco acompanhada por dançarinas que são um espetáculo à parte. As coreografias e a cenografia - com ênfase nas luzes -, principalmente em faixas como “Fuso” e “Taurus”, que estão entre os maiores hits da cantora, levaram a experiência para além do musical. Destaque também para o “efeito especial” que deu à apresentação toda um tom de clipe musical: um ventilador no palco, garantindo o movimento das laces e dos blacks da cantora, das dançarinas e da DJ.
Com apenas uma hora e meia de show, o setlist contemplou a maior parte do álbum lançado em 2024, Taurus Vol.2. Os pontos altos do álbum são, e foram também para o público que lotou o Opinião, as músicas “Turma da Duq” e “Banco do Carona”. Com o refrão “Energia de gostosa, atitude de gostosa”, a primeira música foi seguida de falas em prol das mulheres, do feminismo e de liberdade, seja ela sexual ou não. Em diversos momentos da performance, Duquesa falou com o público feminino, relembrando a importância da sua música para as minas.
Claro que seu primeiro álbum, “Taurus”, de 2023, não ficou de fora. Com as faixas “Única” e “Big D”, Duque comentou sobre a importância da música para sua vida, que ela deixa claro, inclusive, em diversas composições que percorrem sua história. O auge do show, como já era de se esperar, foi com seu grande sucesso “99 problemas”, também deste álbum.
Apesar dos discursos e do agradecimento da parte da cantora ao público, as interações foram tímidas, o que também contribuiu com a curta duração do show. Acredito que o próprio estilo musical favoreça este distanciamento, assim como o sucesso ainda considerado recente da cantora, que já sustenta uma carreira de mais de dez anos.
Suas músicas, assim como sua apresentação, tem o potencial de levantar qualquer autoestima, ressaltando corpos reais, vivências e desejos de mulheres. Ao contrário de muitos raps e traps de sucesso, que são baseados em ostentação, Duquesa fala de dinheiro de um outro lugar: de quem ascendeu por meio da arte e incentiva outras mulheres a fazer o mesmo.
“Eu sou tudo isso isso mesmo que você tá vendo”, canta em “Fuso” e, de fato, ela é. Faz muito bem pra indústria musical como um todo o sucesso de novas vozes, com novas mensagens, despadronizando o cenário.
Vida longa ao “rap feminino”.