10 Álbuns para ouvir em dias frios
Quando eu ando na rua em um dia frio, com o ar gelado atravessando meu rosto e as mãos escondidas do vento no bolso do casaco, ou quando acordo cedo, olho pela janela e o céu está tomado por branco e água, a vontade que sinto de escutar música é muito diferente da vontade que sinto quando é uma tarde dourada de verão. O inverno normalmente é associado a músicas melancólicas e mais deprês, e, realmente, quando eu penso em trilhas sonoras para esses dias frios, um dub carregado ou uma cumbia dançante normalmente não estão na playlist.
Independente disso, acredito que reduzir uma trilha sonora ideal para dias frios à músicas tristes é ignorar o lado poético e introspectivo que essa estação traz. Frio, pra mim, é sinônimo de ritmo lento e momentos sozinha, e isso se traduz em trilhas sonoras para banhos quentes demorados, uma cozinha calorosa, receber amigas em casa, andar encasacada pela cidade ou apenas ficar no escuro de fone de ouvido, criando coragem pra levantar da cama.
Pensando nas músicas que tem circulado pelo meu fone nos últimos dias, montei uma lista com os meus 10 álbuns favoritos para escutar em dias frios. Independente da sua faixa etária, estado emocional, cidade natal ou programação de sábado à noite, espero que você aproveite essa seleção.
Playlist disponível no final do post.
10.
V/Z
Suono Assente (2023)
A percussionista Valentina Magaletti junta-se ao multi instrumentista Zongamin para criar um álbum eletrônico de estética londrina, sensual e agitado na mesma medida.
Destaque para a faixa Bites (feat. Coby Sey).
9.
Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Xangai
Cantoria 2 (1988)
Lembro das manhãs na temperatura de 5ºC e o caminho de carro até a escola, com esse álbum tocando no rádio. Um belo sertanejo, cantando por mestres e guiado por quatro violões poéticos, num álbum ao vivo. Bom pra ouvir cozinhando uma sopa enquanto bebe um vinho e pensa que o conversante está passando frio bebendo cerveja barata no eskibar.
Destaque para a faixa Estampas Eucalol.
8.
Giorgio Gaslini
La Notte (OST) (1961)
Não seria um select de músicas para dias frios sem um álbum de jazz, e pensando em jazz pra ouvir em casa, um dos meus preferidos é a trilha sonora do filme La Notte, do Antonioni, que acompanha um casal em crise durante uma festa. Lindo, triste, sensual. Esse é o álbum pra chamar o conversante pra casa, beber vinho e ficar longe do eskibar.
Destaque para a faixa Blues All’alba.
7.
Bob Dylan
Blood On The Tracks (1975)
O ícone da gola-levantada-e-mãos-no-bolso-se-protegendo-do-vento não tinha como ficar de fora dessa lista.
Destaque para a faixa You’re A Big Girl Now.
6.
Sissi Rada
Nana Butu (2026)
O novo projeto da harpista, compositora e produtora Sissi Rada entrega um artpop emotivo, lírico e delicado, criando uma atmosfera contemplativa logo na primeira faixa.
Destaque para a faixa Haint Harp.
5.
João Gilberto
João (1991)
João canta em português, italiano, espanhol, francês e inglês nesse álbum, deixando a gente com gosto de quero mais, mesmo sempre entregando exatamente o que a gente precisa na quantidade certa.
Destaque para as faixas Siga e Que Reste-T-Il De Nos Amours.
4.
Astor Piazzolla
Tango: Zero Hour (1998)
Como uma boa romântica, um dos meus cenários favoritos de fantasiar é o de um reencontro inevitável entre duas almas que um dia já foram muito íntimas. Acredito que esse álbum de tango, do argentino Astor Piazzolla, traz tudo que essa fantasia envolve: calor, distância, paixão, tesão e memória. Clássico indispensável do gênero.
Destaque para a faixa Tanguedia III.
3.
Elori Saxl, Henry Solomon
Seeing Is Forgetting (2026)
Minha última descoberta de álbuns de inverno e também o projeto que me inspirou a escrever essa lista. Música ambiente experimental, feita pelo saxofonista Henry Solomon e pela produtora Elori Saxl.
Destaque para a faixa Raindrops.
2.
Spooky Black
Leaving (2014)
O antigo Spooky Black, que hoje assina pelo nome de Corbin, montou uma mixtape lo-fi inesquecível para qualquer um que tenha acompanhado a era do rap alternativo do soundcloud. Na época, o cantor tinha apenas 16 anos e escreveu algumas das músicas mais sensíveis sobre fim de relacionamento que o cloud rap já viu. O único álbum verdadeiramente melancólico dessa lista e também um dos meus favoritos da vida.
Destaque para as faixas Echoes In My Mind (feat. Wiccaphase) e Take The Blame So I Don’t Have To.
1.
Sigur Rós
Ágætis Byrjun (1999)
Eu tentei não terminar essa lista com um clichê, mas foi impossível. Ao misturar elementos eletrônicos com música clássica e um vocal lento e gentil, a banda islandesa nos dá a dose perfeita de poesia que dias com menos de 13ºC pedem. Um clássico e não à toa.
Destaque para a faixa Ný Batterí.