Crítica | Drake - Views

O ano é 2016 e o novo álbum de Drake sairia no mesmo dia de "Guerra Infinita". Os dois maiores produtos de entretenimento do ano em um único dia. 

“Views” foi um álbum muito esperado por todos, muitos dizem que esse, inclusive, foi o principal motivo de ter sido indicado ao Grammy de Álbum do Ano. No entanto, a impressão foi que o projeto desapontou tanto a crítica quanto a os fãs do rapper. “Hotline Bling” construiu um hype gigantesco e o álbum não alcançou as altas expectativas. Mas a verdade é que "Views" era exatamente o que esperar de Drake naquele momento, é um álbum com a essência do cantor, perambulando pelas ruas de Toronto num dia frio de inverno com letras carregadas de nostalgia e arrependimentos que assombram a qualquer um que já teve que deixar a cidade que ama para trás. 

“Keep The Family Close” é sem sombra de dúvidas a música mais inusitada em todo o extenso catálogo do rapper, e também é a faixa que abre o álbum. A bateria acústica agressiva, a sessão de cordas e de metais junto com o órgão de igreja dá todo o ar de uma música feita para um filme de James Bond. Mas nenhuma das três faixas que procedem a abertura ficam à altura, passada a sequencia mais fraca do álbum, dando apenas um pequeno destaque pra performance vocal em “U With Me?”.

Drake parece ter voltado as raízes em alguns momentos do álbum, “Redemption” é um Ode a todas as mulheres independentes que passaram pela vida do rapper (classic old Drake shit), a beat jamaicana que dá vida ao hit “One Dance” consegue enjoar o ouvinte mesmo tendo apenas dois minutos e cinquenta de duração.

Mas nem de todo mal é feito “Views”, faixas muito consistentes com letras interessantes como “Hype” e “Western Road Flows” nos dão oxigênio para continuar vivo depois de sequencias tenebrosas, e mais para o fim do álbum o single “Pop Style” abre uma sequência interessantíssima que vai até “Hotline Bling”. Fosse melhor editado e tivesse menos faixas, "Views" seria menos uma decepção, como é, figura como um bom álbum, que deveria ser gigante. 

Drake de “Views” não é o melhor Drake nem lirica e muito menos musicalmente, mas ao mesmo tempo é um álbum muito diversificado, apresentando pequenos vislumbres de Drakes antigos que de vez em quando dão o ar da graça em alguma faixa ou outra.

7

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