Do Pior Ao Melhor | Game of Thrones


Game Of Thrones atingiu, ao longo de seus 9 anos, níveis de popularidade e qualidade inimagináveis. Quando a temporada de GOT está ativa se torna o cerne de discussões em grupos de Whatsapp, salas de aula e locais de trabalho. Pode ser assunto para aquele primeiro encontro ou, incrivelmente, como foco em reuniões familiares. Ninguém está a salvo da magnificência da série.

Mas sabemos que as temporadas não foram feitas de forma análoga. Há temporadas extremamente fiéis aos livros do criador da Guerra dos tronos, George R.R. Martin, e outras que são basicamente um serviço aos fãs, dando a eles tudo que especulavam, e é entre os altos e baixos que analisamos da pior a melhor temporada da série mais fantástica em atividade.


7 | Temporada 5

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Com certeza a temporada mais cansativa e emocionalmente a mais difícil de assistir. Enquanto alguns episódios se arrastam durante sua quase uma hora percebe-se cada vez mais a falta de heroísmo ou falta de representações positivas para se apegar. Há temporadas de Game Of Thornes com confrontos épicos ou grandes descobertas. Essa é a da tortura, literalmente falando. Há muitas cenas de tortura.

Mas a quinta temporada é um mal necessário, e isso não é algo propriamente ruim. Fica muito claro que, fora os dragões, "Game Of Thrones é uma série muito realista. Trata de forma crua e visceral alguns fatos, e, ironicamente, os espectadores que ficam irritados com as partes mais pesadas do show não percebem que é um mero reflexo da nossa imperfeita e descomedida sociedade. Não se tratou de cativar ninguém aqui, pois, no final das contas todos estamos cativados nesse ponto havia 5 anos, mas sim de salientar essas atrocidades não tão distópicas. Dito isso, ainda assim é a temporada mais fraca da série. O arco de Dorne é extremamente preguiçoso e nada aqui consegue acompanhar toda potência da season anterior.

Incrivelmente, a pior temporada de Game Of Thrones, ainda é ótima, e isso diz muito sobre a melhor série da TV em exibição.


6 | Temporada 7

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Digamos que a sétima temporada de Game Of Thrones é curiosa. Ela, que recompensou toda espera e nos deu respostas e momentos grandiosos pelos quais tanto aguardamos, como Olenna e seu ‘‘Tell Cersei it was me’’, um dragão de gelo e o ‘‘ The Loot Train Attack’’. Momentos de puro êxtase. A emoção de ver personagens se reunindo, até os mais coadjuvantes é inexplicavelmente gratificante, o problema é que, finalmente completamente desapegados dos livros de R.R. Martin, entre uma grandiosidade ou outra, o ritmo extremamente acelerado enxugado em 7 episódios gerou situações preguiçosas e apressadas. O grande problema da 7ª temporada é a apresentação vislumbrante mas a explicação nem tanto.

Uma das principais marcas da série se caracteriza por não ligar para o quão arrastado e lento seu andamento seja, desde que desenvolvesse tudo da forma mais detalhada possível. Euron Greyjoy é um exemplo de um dos personagens mais rasos da história da série, pouco trabalhado e dramaticamente insosso. Sabendo que a temporada foi um fan service do início ao fim se da um desconto. Seu nível de entretenimento continua gigante, sua qualidade como um todo nem tanto.


5 | Temporada 6

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A 6ª temporada de GOT corre.

As vezes passos maiores do que as pernas.

É dinamismo puro e tanta coisa acontecendo à toda hora, incluindo o fato da série ter ultrapassado seus livros, que a sensação de bagunça, e o medo de que tudo construído até ali por George R.R. Martin fosse esfacelado, é gigantesca.

Inevitavelmente e ironicamente, foi esse dinamismo que deixou tudo interessante, pois, o que fosse acontecer dali pra frente era imprevisível. E talvez não poderia ser diferente do que foi. Game Of Thrones oscila, mas seus pontos altos são alguns dos mais altos de toda série até aqui, e não podem ser ignorados. ‘‘The Door’’ é um dos episódios mais atmosféricos produzidos, emocionalmente falando; ‘‘Battle of the Bastards’’ atinge um nível técnico jamais visto antes e ‘‘The Winds Of Winter’’ foi a prova de que ainda depois de 6 anos, GOT ainda podia nos chocar com seu melhor Season-Finale.


4 | Temporada 1

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A não convencionalidade de Game Of Thrones foi irresistível a primeira vista, afinal, não são todos os pilotos que tecnicamente são vislumbrantes e, narrativamente, nos mostram um caso de incesto e uma criança sendo jogada da janela. Em questão de realismo e construção de sua história e personagens, GOT estabeleceu novos níveis de qualidade.

A escolha por contrariar o discurso de que o protagonista sempre dá um jeito de salvar o dia é extremamente apelativa, porque, em conclusão, quem aqui lendo esse texto imaginou que o homem estampado na capa da série não passaria de 10 episódios?

A primeira temporada não se apressa pra contar sua história. A lentidão de sua primeira metade é legitimada com a formação de personagens incríveis e complexos, com arcos cativantes e criativos e, desenvolvendo-os com cuidado ao mesmo tempo que deixa claro que ninguém está a salvo. É onde tudo começou. É como um vinho antigo que melhora conforme o tempo passa. Saudades eternas Ned.


3 | Temporada 2

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O que esperar depois do impacto causado pela perda de Ned Stark.

A segunda temporada de GOT veio carregada de expectativas dos até então espectadores não tão acostumados com a imprevisibilidade da narrativa. O mar de acontecimentos é trabalhado de forma tênue e precisa, criando alguns dos melhores arcos de todos os 7 anos de duração da série até agora. A interação entre Tywin e Arya (o primeiro desconhecendo a verdadeira identidade da menina do Norte) traz vitalidade e empolgação misturado com um senso urgente de perigo inexplicável, e isso ocorre simplesmente enquanto Lannisters e Starks estão em guerra.

Também descobrimos a brilhante mente política de Tyrion. É na segunda temporada que um dos personagens mais cheio de camadas da história começa a desenvolvê-las. É a elevação de tudo aquilo que queríamos e esperávamos. É onde descobrimos que o maior guerreiro de Westeros é uma mulher e que, sim, Game Of Thrones também possui magia e bruxaria.


2 | Temporada 3

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Para a maioria dos fãs, indiscutivelmente, a terceira temporada é sinônimo de perfeição. Indubitavelmente a temporada em questão é composta por momentos cuja importância e valor de lembrança são eternos. Jamie Lannister começa a mostrar que, além de futuramente seu braço, seu coração é de ouro também. O desenvolvimento de seu personagem junto a amizade inesperada com Brienne é talvez o arco mais cativante de vários outros arcos compostos por junções inesperadas que a série tende a fazer.

Enquanto isso, Joffrey se perpetua com um dos antagonistas mais provocativos e odiáveis já vistos. O complexo de superioridade, inevitavelmente hoje se relaciona com a atual situação governamental de vários países, excluindo a parte medieval direta. Um líder imaturo e egocêntrico é mais uma das relações que GOT cria com o mundo real.

Jon e Daenerys provavelmente têm seus melhores momentos, ainda longe um do outro. O primeiro, disfarçado de selvagem continua desenvolvendo sua benevolência, se apaixona e torna, cada vez mais, impossível de não ser amado. E se por um lado Jon está em constante perigo de vida, Dany, cada vez mais confiante, agrega poder ao seu lado e se torna uma figura indiscutivelmente imponente.

Enfim, é na terceira temporada que se encontra o melhor episódio de Game Of Thrones e um dos melhores da história da televisão. ‘‘The Rains Of Castamere’’ nos dá o auge da grandiosidade, do espanto, da tragédia e da tristeza. O modo como é filmado a carnificina é traumático a ponto de fazer pessoas simplesmente não irem trabalhar segunda feira ou só irem pra falar sobre o casamento vermelho.


1 | Temporada 4

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Começando pelo núcleo em Porto Real, o antagonista, já citado, mais odiado de todos os tempos finalmente morre, e Joffrey não poderia partir de uma maneira mais sádica e satisfatória. Envenenado em seu próprio casamento, enquanto humilhava Tyrion e Sansa, um gaguejar pega absolutamente todos de surpresa. A construção dessa narrativa é algo épico, culminando em um episódio incrível e fazendo das consequências dessa morte o “motor” de diversos outros núcleos no restante da temporada.

Com os Lannisters, o julgamento de Tyrion é o grande destaque. Diálogos intensos e o desprezo incomodativo que toda família sente pelo mesmo por todos os motivos mais baixos é repulsante. Ainda falando sobre o arco que circunda um dos dois Lannisters gostáveis, nos é apresentado um dos personagens mais épicos e sensacionais da história da série, Oberyn Martell, e logo em seguida tirado de nós protagonizando uma das cenas mais angustiantes, em seu confronto com o ‘‘Montanha’’.

Daenerys continua sua jornada por Essos e sua busca por libertação do povo escravizado enquanto seus planos são adiados e seus dragões aparentemente entram na puberdade. O núcleo da Muralha ganha fôlego com acusações de traição à Jon e se o até esse momento ‘‘bastardo Stark’’ não era um de seus personagens favoritos, se preparem. A Batalha do Castelo Negro é épica, culminando em uma das mortes mais surpreendentes ao longo de todas temporadas, e do modo mais Shakespeareano possível, Ygrette morre nos braços do futuro ‘‘King of The North’’.

A 4ª temporada de Game Of Thrones é a mais implacável, ao mesmo tempo que consegue ser uma das mais desenvolvidas tanto em questão de diálogos quanto em questões técnicas e por isso essa seção do post se tornou mais um resumo de acontecimentos do que uma interpretação. Com cada ator já extremamente confortável em seu papel, possui atuações mais seguras e grandiosas. Como já mencionada, a cena do julgamento de Tyrion justifica o porquê de Peter Dinklage ter ganho o Emmy em 2015. Foi tão implacável quanto Arya mostrando que nenhum sentimento ou nenhuma pessoa vai se colocar entre ela e seu objetivo.

É a melhor temporada da maior série de televisão da década.