Pixar | Do Pior Ao Melhor

Pixar | Do Pior Ao Melhor

spl.jpg

Ah, Pixar...

Se há um estúdio de cinema que chega perto de receber amor universal é o segmento da Disney. Ao longo de mais de duas décadas as animações da empresa tomaram conta dos calendários ano após ano, construindo uma das séries de filmes mais consistentes e inventivas na história da sétima arte e revolucionando a forma de fazer animação a cada novo lançamento.

Justamente por receber tanto amor e não ter um concorrente tão acirrado como no caso de DC e Marvel, por exemplo, muitas vezes esquecemos de justamente discutir quais as melhores obras já entregadas pela Pixar. As mesmas, que acreditamos fazerem parte de um plano maior.

A continuação mais esperada pelos fãs finalmente chegou, mas antes de avaliarmos se "Os Incríveis 2" figura entre os melhores trabalhos dos estúdios precisamos saber qual a posição de cada um, certo? Aqui está o ranking dos melhores filmes da Pixar:

spl.jpg

19 | Carros 3 (2017)

"Carros 3" talvez seja prejudicado pela crescente falta de interesse do público na saga. A parte técnica é talvez uma das melhores da Pixar, conseguindo dar vida a um universo habitado exclusivamente por seres que, teoricamente, não a possuem. O ponto negativo é que este é provavelmente o mundo menos atraente dentre todos os filmes dos estúdios. Relâmpago Marquinhos é amado por muitos, principalmente no Brasil, mas continua a faltar a substância necessária para fazer desses filmes qualquer coisa próxima de um clássico.

spl.jpg

18 | Carros 2 (2011)

"Carros 3" sofre por ser a sequência indesejada de, obviamente, "Carros 2", que por sua vez já foi a sequência indesejada de seu primeiro filme. "Incríveis", "Procurando Nemo" e "Monstros S.A." demorariam anos para voltar as telonas, enquanto um dos filmes menos amados da Pixar ganharia um novo capítulo. Foi tentado melhorar em cima do original, mas, apesar da qualidade técnica continuar impressionante, falta substância e uma história realmente envolvente para fazer este mundo habitado por carros realmente se sobressair. 

spl.jpg

17 | Universidade Monstros (2015)

Depois de anos de espera, a Pixar encontrou o lugar perfeito para continuar as histórias de Mike e Sully dando um passo atrás, na primeira prequel dos estúdios. "Universidade Monstros" é um grande flashback da vida universitária de Mike e Sully. Mostrando as origens dos melhores amigos, vemos que ambos tiveram que se esforçar bastante para se tornarem os personagens que conhecemos em "Monstros S.A". O filme aborda temas atuais como bullying e prega a valorização do estudo e do trabalho em equipe, pois nem Sully nem Mike com suas respectivas qualidades conseguiriam vencer sozinhos os obstáculos da trama. E o filme, apesar de se arriscar pouco, é uma adição válida a história dos monstrinhos, mas, é claro, não tendo a Buu, as coisas ficam mais difícieis. 

spl.jpg

16 | Procurando Dory (2016)

Desde "Procurando Nemo" todos nos apaixonamos por esse peixinho azul, estranho e esquisito. 13 anos depois "Procurando Dory" chegou provocando diversas emoções, e o mais impressionante, mostrando que não era uma continuação. Dory com todo seu jeito desajeitado tem uma história única para contar.

Claro que a Pixar não poderia deixar de trazer Marlin, parceiro fiel de Dory, e Nemo, o que também foi um acerto. É fácil conectar-se com os personagens que já conhecemos e amamos, e que definitivamente não esquecemos, mesmo passando mais de uma década. O filme não é o mais ambicioso do estúdio e não se iguala ao original, mas realmente convence. 

 

spl.jpg

15 | Carros (2006)

A premissa de "Carros" é, de certa forma, muito inteligente. Os brinquedos são alguns dos favoritos de qualquer criança e criar um mundo inteiramente habitado por eles é uma ideia interessante.

Porém, duas coisas são perdidas nesse filme, a primeira delas sendo o mal desenvolvimento deste universo (o que os carros comem? eles são máquinas? são seres vivos? existem outros seres?) e a segunda é a falta de uma personagem criança, para se identificar aos olhos do público infantil que, em tese, é o público alvo. Todos adoramos Relâmpago McQueen, talvez por ele ser literalmente um Neymar em forma de carro, mas falta algo que o conecte com todos nós. 

spl.jpg

14 | Valente (2012)

"Valente" merece destaque nessa lista por mostrar a primeira princesa da Disney que não tem um par romântico e nem por isso sua trama não se trata de uma história de amor. A relação familiar, principalmente entre mãe e filha, é o foco principal nessa narrativa, o que a torna diferente das suas princesas antecessoras e, talvez até por isso, acabe inovando o repertório dos estúdios, abrindo espaço inclusive para animações como "Frozen" (onde o amor das irmãs Elsa e Anna são o foco do filme).

A narrativa, justamente por não ser o usual de princesas, é eficaz e consegue prender o telespectador, personagens carismáticos como o rei, os trigêmeos e a própria princesa Merida, ganham a simpatia do público. No final, com certeza grande parte dos espectadores ficam do lado da princesa e torcem para que ela não ganhe um par romântico, um elemento quase histórico para filmes de princesa. Ainda assim, "Valente" não é o filme mais inovativo da Pixar e acabou caindo em comparação ao próprio "Frozen", que trabalhou temas parecidos, só que melhor. 

sp.jpg

13 | O Bom Dinossauro (2016)

"O Bom Dinossauro" não é nenhum filme revolucionário da Pixar, como já nos acostumamos tanto a ver. Sim, é simples, mas não se engane, pois sua simplicidade com certeza vai atingir o mais gelado dos corações. Apesar de não ser tão memorável como outras histórias, talvez seja uma das mais tocantes e inocentes. 

A forte relação entre os dois personagens principais é algo que já estamos adaptados a amar nas histórias da produtora, mas Arlo e Spot tem um quê de originalidade - talvez pelo fato de o dinossauro falar e o humano não - que é simplesmente irresistível. Seus momentos juntos equivalem a qualquer pico de emoção que a Pixar já proporcionou e quase superam o fato de a animação das criaturas, simplista demais, e dos cenários, magnificamente elaborado, contrastarem fortemente. 

spl.jpg

12 | Divertidamente (2015)

Em meio a inúmeras pérolas na filmografia da Pixar, talvez, realmente, Divertidamente não esteja entre as mais brilhantes. Repete a conhecida e funcional fórmula no roteiro e algo que ninguém comenta, mas que deveria levantar mais dúvidas é o fato de serem apenas cinco emoções principais (e "nojinho" estar entre elas). Mas há um algo a mais nesse filme, além do que está na tela. 

Além do fato de inteligentemente funcionar se retirarmos todas as sequências da mente da protagonista, o que faz deste um longa diferenciado é o quanto há de verdade nas metáforas e analogias apresentadas em relação à mente humana. Não é a toa que houve a colaboração de psicólogos e psiquiatras aqui, fica claro ao longo do filme que tudo que está sendo mostrado parece fazer certo sentido: e faz mesmo. "Divertidamente" é um filme de animação infantil que vai além do usual e explora questões da psique humana e das perdas durante a pré-adolescência e, por isso, merece sua cota de louvor. 

spl.jpg

11 | Up: Altas Aventuras (2009)

Os temas abordados em "Up" vão muito além do que sua divertida história mostra. Ela, em si, não é a mais criativa ou rica em elementos do estúdio, é até um tanto incerta do que realmente quer ser durante toda a duração do filme, mas o que impressiona é o que está por trás de cada momento. Os temas abordados aqui vão desde o amor, a amizade, o companheirismo, à conformação com seu lugar no mundo e a vontade de ir além.

É claro, a montagem de Carl e Ellie é como um tesouro preso na imaginação de cada criança que, provavelmente, não vá dar muita bola quando criança, mas que quando re-assistir o filme anos depois vai se perguntar o porquê de não ter dado mais valor para a possível melhor cena de qualquer filme da Pixar. A vida é cheia de altos e baixos, sendo que os primeiros são o que definem se você a vive direito ou não. 

spl.jpg

10 | Ratatouille (2007)

Fazer o público comprar a ideia de que a comida feita por um rato pode ser deliciosa, não sendo necessária a visita da vigilância sanitária é um dos maiores feitos da Pixar. Rémy, em parceria com Linguini, cria momentos cômicos e emocionantes durante as quase duas horas de produção.

"Ratatouille" tem uma premissa bonita, passa uma mensagem encantadora e encorajadora para que mesmo que você não se encaixe em certo perfil, isso não importa quando se tem vontade, talento e amor para exercer qualquer profissão ou ação. Além, é claro, em uma cena espetacularmente montada e mostrada nos últimos finais do longa, de mostrar que apenas com a sensação de um gosto de um prato familiar, uma pessoa consegue se teletransportar ao passado e a sentir uma sensação incrível de conforto e até amor, não sendo muito diferente do que o público pode sentir ao assistir a história desse “pequeno chef”.

spl.jpg

9 | Vida de Inseto (1998)

O segundo filme da Pixar, e talvez um dos mais esquecidos de todo o conjunto, "Vida de Inseto" é uma obra que, apesar de utilizar de uma fórmula que viria a ser repetitiva, cativa o público. A história das formiguinhas e de sua colônia prende a atenção do espectador devido ao seu ritmo rápido e fácil de acompanhar. 

A técnica de animação utilizada por seus criadores foi uma inovação e muito sofisticada na época, onde as animações feitas digitalmente estavam apenas começando a serem feitas. No entanto, algumas saídas no roteiro acabam sendo clichê, e fica aquela sensação de já termos visto aquilo em algum filme, mas não é nada de tão grave que estrague a experiência de quem assiste. Além disso, os personagens formadores do circo de insetos encontrados por Flick (a formiga protagonista) são um prato cheio de carisma. 

spl.jpg

8 | Toy Story 2 (1999)

Para uma sequência funcionar, ela precisa resgatar o que era bom no primeiro filme e trazer novas ideias que superem as do primeiro. Toy Story 2 conseguiu. A animação é uma amálgama de gêneros que presta, na verdade, uma grande homenagem a outros filmes. Vemos diversas referências, tanto na história quanto no visual, a diversos clássicos - prova de que a Pixar não vê suas animações como “historinhas ingênuas para crianças” e trata elas como o que são: cinema, na forma mais pura. 

Essa sequência é uma aventura cheia de subtramas e pequenos conflitos que, graças a uma gama de personagens cativantes e uma animação fenomenal, consegue entreter e emocionar desde o público mais novo até os mais velhos. Essa fórmula seria ainda mais aprimorada em Toy Story 3, mas isso fica para daqui a pouco.

spl.jpg

7 | Wall-E (2008)

Este é definitivamente um dos filmes mais complexos e, por conta disso, subestimados dos estúdios. Apesar de seu personagem principal ser carismático, as mensagens que "Wall-E" passa vão além do que uma criança pode assimilar com facilidade. 

É uma das maiores histórias de amor apresentadas pela Pixar. Um filme com pouquíssimos diálogos traz uma narrativa focada na imagem, onde o protagonista expressa-se basicamente através de seus olhos. E, apesar de seu roteiro ser bastante simples, trata de temas importantes como questões ambientais e consumo desenfreado. Além de trabalhar incrivelmente bem a relação entre Wall-E e EVA, trazendo um romance puro e cativante que implica em significados que vão muito além de uma simples história de amor. 

spl.jpg

6 | Procurando Nemo (2003)

Um dos temas mais amados pela Pixar é o das relações paternas. Sully, Beto Pera, Frederiksen… Todos eles têm um carinho pelos seus filhos (sejam biológicos, de coração ou uma humana que entrou por acaso no mundo dos monstros). Nenhum deles supera Marlin, o peixe-palhaço que se aventurou pelo oceano para reencontrar seu filho em “Procurando Nemo”. 

O maior trunfo do filme são os personagens cativantes, representados principalmente por Dory, a peixinha com perda de memória recente que se tornou popular a ponto de receber seu próprio filme anos depois. Navegando em um oceano de possibilidades criativas, “Procurando Nemo” traz bordões incríveis (“continue a nadar”, “minhoca u-ha-ha”), situações hilárias (tubarões vegetarianos e tartarugas hippies) e uma gama de peixes memoráveis (o aquário do dentista tem um dos melhores grupos da Pixar). O drama também é muito bem trabalhado aqui, logo no começo do filme, mas o grosso da história é mesmo composto por aventura e comédia. Dá muito certo.

spl.jpg

5 | Viva: A Vida é Uma Festa (2017)

Talvez no momento mais difícil para uma minoria nos Estados Unidos, com Trump no poder, violência nas ruas e um forte preconceito com imigrantes, o que a Pixar faz? Entrega um de seus melhores filmes se passando do lado de lá das muralhas. 

Diversas coisas funcionam em "Coco", seu título original. Desde um dos trabalhos de animação mais evocativos e vivos à alguns de seus personagens mais adoráveis, mesmo que alguns deles nem seres humanos, ou carros, ou bonecos, ou monstros sejam. 

Mais do que tudo, é um filme familiar. Não pela classificação indicativa, mas sim devido ao seu tema. Pode-se dizer que a busca de Miguel é pela música a princípio mas a motivação dessa busca ainda é sua família. “Remember Me” é justamente sobre isso, sobre ser lembrado por sua família. O filme é uma obra sentimental que orienta o espectador às lágrimas. É um dos trabalhos mais sensíveis e diversos da Pixar.

spl.jpg

4 | Toy Story (1995)

"Toy Story" devia ser hors concours nessa lista. Não fosse pela obra que revolucionou as animações, essa lista não existiria. O primeiro filme da Pixar e também o primeiro longa gerado inteiramente por computador teve sua inspiração em um curta dos estúdios ("Tin Toy", 1987, na época presididos por Steve Jobs) e teve um impacto absurdo na indústria cinematográfica.

Não era pra menos, a qualidade e inventividade da história contada em "Toy Story" é quase messiânica. Brinquedos que na verdade possuem vida própria e tem como principal objetivo fazer seus donos, as crianças, felizes. A premissa vai de intrigante, à inocente à magnética conforme a história avança, nos apresentando a dois dos personagens mais populares da cultura pop mundial: Woody e Buzz. 

Foi aqui que fomos convidados a entrar nesse universo maravilhoso criado pela Pixar, algo que devemos ser eternamente gratos. "Toy Story" é revolucionário e bom demais para qualquer pessoa que aprecie cinema.  

spl.jpg

3 | Os Incríveis (2004)

Imagine que incrível (haaaa) um filme sobre uma equipe de quatro super-heróis cada um com os seguintes poderes: elasticidade; super força; invisibilidade; controle do fogo. Sim, esse filme existe, mas não se chama "Quarteto Fantástico", afinal o grupo da Marvel ainda precisaria do Mercúrio para chegar próximo da família Incrível. 

O sexto filme da Pixar é, facilmente, o que mais provocou reações ansiosas do público sobre uma continuação, algo que geralmente vêm com a frase "Como "Carros" consegue duas continuações e "Os Incríveis" não tem sequer uma?". É praticamente uma obra prima tanto do gênero de animação como do gênero de super-heróis, a forma como a vida dos heróis é aliada com sua vida familiar, e a visão da sociedade sobre todos eles é mais eficiente e relevante do que alguns dos melhores filmes da Marvel. 

Jogue junto a isso a muita ação e humor, personagens muito bem escritos, um tema interessante e um dos vilões mais cativantes da Pixar, e "Os Incríveis" se tornou um dos filmes mais amados do estúdio e não é nada difícil de entender o porquê.

spl.jpg

2 | Monstros S.A. (2001)

Poucas coisas são mais marcantes na nossa infância do que o medo de coisas que possam estar escondidas em nossos guarda roupas. O quão incrível é a nossa imaginação de crer que, ao fechar uma porta, um mundo inteiramente diferente se abre, um que não conhecemos e, por isso, tememos. A Pixar, em uma de suas jogadas mais geniais, transformou tudo isso em um de seus melhores filmes. 

Talvez a melhor parte individual desse universo compartilhado da Pixar seja aquele criado para "Monstros S.A.". Nele, os monstros que acreditávamos estar dentro de nossos guarda roupas estavam na verdade no seu próprio mundo, maravilhosamente pensado, e tinham o mesmo medo de nós que nós deles. Aos olhos de Boo -talvez a personagem mais cativante de todos os tempos sem precisar falar nada que não "gatinho"- fica maravilhada ao encontrar Sully e Mike, uma visão que compartilhamos com ela. 

O quarto filme da Pixar é até hoje um dos mais queridos do estúdio, seja por crianças ou adultos. Isso, graças a sua habilidade em abordar temas tão nostálgicos de nossas infâncias enquanto ainda se preocupa em contar uma história com importantes lições sobre a vida adulta. 

spl.jpg

1 | Toy Story 3 (2010)

São muitos os filmes que marcam a infância de uma geração, mas pouquíssimos conseguem encerrá-la de maneira tão triunfal, precisa e madura. Hoje há um mercado inteiro voltado para produções sustentadas apenas pela nostalgia, mas até agora nenhuma chegou aos pés de tratar do tema como "Toy Story 3".

O grande vencedor desse ranking é um empolgante filme de fuga de prisão, um drama destruidor, uma comédia extremamente bem dosada. Tudo isso em uma história madura sobre abandono, saudade, receio de crescer e, principalmente, mudança. Lotso é um dos vilões com mais camadas não só no universo Pixar, mas também no da Disney. Com seu maior triunfo até agora, a Pixar mostra que conhece diversas maneiras de fazer personagens tridimensionais.

É um show técnico de animação e um soco no estômago narrativo, com duas das cenas mais poderosas emocionalmente do estúdio: quando os brinquedos aceitam sua morte no lixão e quando Andy entrega os brinquedos a Bonnie. Se você assistir 100 vezes, vai chorar 100 vezes. A mensagem que Toy Story 3 nos deixa é a razão do sucesso da Pixar: "é preciso saber amadurecer". É uma obra-prima do cinema e um marco no coração de muita gente.

Star Wars | Do Pior Ao Melhor

Star Wars | Do Pior Ao Melhor