Quem Leva | Oscar de Melhor Filme

Quem Leva | Oscar de Melhor Filme

Ame-a ou odeie-a, ano após ano a Academia consegue fazer com que todas as atenções dos cinéfilos sejam voltadas para a cerimônia do Oscar, o que leva a pergunta: o que faz um filme ganhar o Oscar de Melhor Filme?

Seria o lob dos estúdios e produtoras? O prestígio do elenco? O histórico do diretor em premiações? A qualidade em si? A resposta certa seria uma junção dessas quatro perguntas e, ainda assim, não seria fácil prever com exatidão quem levaria a principal honraria da noite.

Em um ano com oito concorrentes, novamente, é inexplicável o fato de que duas das posições não tenham sido ocupadas com tantos grandes filmes tendo ficado de fora da listagem final. “Homem Aranha: No Aranhaverso”, “Eighth Grade”, “Guerra Fria”, “Se a Rua Beale Falasse…”, “First Reformed”, entre outros. Entre os que fizeram o corte, temos alguns claros favoritos, mas com filmes tão diferentes e com histórias de virtudes tão variadas que desafiam a lógica do entendimento das nomeações deste ano, qualquer coisa pode acontecer. Estes são os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme de 2019:


Os Concorrentes


Vice 

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Dirigido por Adam McKay, “Vice” é um dos filmes mais polêmicos do ano tanto por seu conteúdo como por sua qualidade. Desde que as primeiras fotos de Christian Bale como Dick Cheney surgiram ficou claro que o filme estaria presente em todas as principais premiações, mesmo que, para muitos, os filmes de McKay pareçam mais inteligentes e subversivos do que realmente sejam. No entanto, as atuações, montagem e edição são dignas de todos os elogios e o trabalho de maquiagem é um dos mais verossímeis dos últimos anos. Visto a gigantesca campanha feita para o filme, não seria surpreendente - nem agradável - se acabasse levando o principal prêmio da noite.

Indicado também para Melhor Diretor, Ator, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Montagem e Maquiagem.

Roma 

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Alfonso Cuarón é um dos diretores mais aclamados de sua geração e produziu filmes que muitos já consideram clássicos pós-modernos, porém é inevitável que olhemos para “Roma” como sua Magnum Opus. Ao retratar o dia a dia de uma família mexicana nos anos 70, o diretor transforma imagens em poesia e, quase sem necessitar de uma narrativa tradicional, cria uma das experiências mais complexas e emocionantes de 2018. Uma aula de cinema, “Roma” é um dos grandes favoritos ao prêmio, mesmo que seu lançamento direto ao Netflix possa desagradar alguns dos membros mais retrógrados da Academia.

Indicado também para Melhor Direção, Atriz, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Cinematografia, Filme Estrangeiro, Design de Produção, Edição de Som e Mixagem de Som.

Pantera Negra

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“Pantera Negra” é um filme glorioso. O primeiro filme de super herói com um elenco em sua maioria negro é também o primeiro de seu gênero indicado para Melhor Filme no Oscar e com toda a justiça do mundo. Dirigido por Ryan Coogler que, mais uma vez, prova que é um dos melhores jovens diretores do planeta, o longa é eficaz em praticamente tudo que tenta, desde sua trilha sonora às dedicadas performances de seus atores, mas tem suas principais virtudes em seu significado além do que vemos no cinema. A cor da pele não deveria nunca ser um empecilho para uma criança sonhar em ser o que quiser e, por isso, “Pantera Negra” é mais do que um filme e, mesmo que não leve a estatueta - seria surpreendente se o fizesse -, se tornou um marco cultural.

Indicado também para Melhor Trilha Sonora, Canção Original, Figurino, Design de Produção, Edição de Som e Mixagem de Som.


Infiltrado na Klan

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O melhor filme de Spike Lee em tempos é também o concorrente mais brutalmente real da cerimônia deste ano. Com um controle total de sua obra, Lee consegue equilibrar perfeitamente o lado mais sombrio e perigoso do racismo na América (e no resto do mundo) com a ironia e satirização que tornam este filme uma montanha russa de emoções. Você dá gargalhadas em uma cena e logo na próxima sente seu estômago revirar. É um trabalho seminal e extremamente necessário. Poucos resultados seriam mais gratificantes do que ver um filme de Spike Lee sair com a estatueta.

Indicado também para Melhor Diretor, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e Montagem.


A Favorita

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Apesar de não ter seu roteiro escrito por Yorgos Lanthimos, “A Favorita” exala o estilo pouco ortodoxo e estranhamente cativante do diretor que já prova ser um dos mais excêntricos e talentosos em atividade. Com uma sinergia quase tóxica de todos seus elementos, a história de um triangulo amoroso envolvendo a Rainha Anne, no século 18, é abrilhantada por um tom satírico e performances ácidas, que fazem um dos filmes mais estranhos do ano serem um prato cheio para todo e qualquer cinéfilo que goste de prestar atenção em algo a mais do que o que lhe é simplesmente mostrado. “A Favorita” perdeu fôlego na corrida para o principal prêmio, mas é mais um capítulo de ouro na já excelente filmografia de seu diretor.

Indicado também para Melhor Diretor, Atriz, Atriz Coadjuvante (duas vezes), Roteiro Original, Cinematografia, Figurino, Design de Produção e Montagem.

Green Book

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O feel good do ano, “Green Book” é um dos favoritos das massas para levar o prêmio. O longa dirigido por Peter Farrelly retrata a história real do músico Don Shirley e sua tour pelo sul dos Estados Unidos no auge do racismo da década de 60 e é surpreendente como o que fala mais alto é a amizade de Shirley com seu motorista brutamontes, Tony Lip, e a superação que o personagem apresenta com tanta resiliência. Hilário e leve, com atuações excelentes, “Green Book” acaba perdendo em comparação a outros filmes similares por ser um tanto leve demais para um assunto tão pesado. Além disso, o que mais segura uma possível vitória é o fato de que a família de Shirley contestou muitos dos fatos apresentados, o que deve deixar o filme mais longe da estatueta.

Indicado também para Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Original e Montagem.

Nasce Uma Estrela

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O hit do ano, “Nasce Uma Estrela” é a quarta edição de uma história que parece nunca perder o brilho. Com uma análise sobre a indústria fonográfica norte-americana e um estudo sobre a fama centrados em torno de uma conturbada, mas sincera história de amor, “Nasce Uma Estrela” acerta praticamente todas as notas, muito graças a química, que transborda a tela, de suas estrelas e seu brilho incandescente. Seria um furor mundial caso o longa ganhasse o principal prêmio da noite e, apesar de não ser o melhor filme dentre os indicados, não seria uma surpresa assim tão grande.

Indicado também para Melhor Atriz, Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Cinematografia, Edição de Som e Canção Original.

Bohemian Rhapsody

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Vamos fazer um exercício: finja que você não conhece o Queen, analise este filme friamente e responda a pergunta abaixo

“Bohemian Rhapsody” é um filme realmente bom?

Enquanto a atuação de Rami Malek seja uma reincarnação de uma das figuras mais mitológicas da história da música, o filme ao seu redor é o que todas as biografias são, uma bagunça sem um ritmo eficaz e presa as mesmas fórmulas que tantas outras. Os valores da nostalgia tornam “Bohemian Rhapsody” insanamente melhor do que realmente é, afinal, todos amamos o Queen, mas olhando friamente, havia pelo menos uma dúzia de filmes mais merecedores de uma vaga entre os indicados.

Indicado também para Melhor Ator, Edição de Som, Mixagem de Som e Montagem.


Quem Deveria (e vai) Ganhar: Roma 

É uma aposta arriscada, nós sabemos, mas a obra prima de Cuarón é uma aula de cinema muito acima que a maioria de seus adversários.

“Green Book” é engraçado e tem uma bela mensagem, mas raso demais e imerso em polêmicas. “A Favorita” é irreverente e original, mas estranho demais. “Pantera Negra” já fez história ao ser indicado. “Vice” é carregado por Bale e uma ótima campanha de produtoras e estúdio. “Bohemian Rhapsody” não deveria nem estar aqui.

As apostas mais lógicas seriam “Nasce Uma Estrela”, caso o Oscar queira definitivamente se conectar mais com suas audiências, ou “Infiltrado Na Klan”, caso a Academia queira continuar a premiar filmes socialmente importantes e fazer de vez as pazes com Spike Lee. Ambos seriam excelentes vencedores, mas nenhum dos dois é a obra prima que “Roma” se mostrou. Cuarón conseguiu transformar uma professora que nunca havia atuado antes na estrela de uma história sem brilho e luxo, que no fundo tem poder para o mover o coração de todos por ser extremamente relacionável. Qualquer um destes três filmes poderiam sair com a estatueta, mas ela ficaria melhor indo para o México, afinal, sábios constroem pontes, enquanto ignorantes constroem barreiras.

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Por “Roma” já levou Golden Globes e BAFTA em Melhor Direção. Se Alfonso Cuáron ganhar será seu segundo Óscar desta categoria. “Roma” é um filme precursor, e especialmente para o diretor fez um processo de reinvenção de suas obras anteriores. Se o diretor mexicano ganhar esse ano será uma maneira de protesto da Academia. 

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