Crítica | A Maldição da Residência Hill (1ª Temporada)

Crítica | A Maldição da Residência Hill (1ª Temporada)

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Quem vai assistir A Maldição da Residência Hill precisa saber de uma coisa: a série não foca no terror, mas nem por isso deixa de ser um prato cheio aos amantes do gênero.

A série, que estrou no serviço de streaming Netflix no dia 12 de outubro de 2018, conta a história de cinco irmãos que viveram parte da sua infância na mal-assombrada residência Hill. Agora, quando adultos, precisam enfrentar os fantasmas do passado após um evento envolvendo a irmã mais nova, Nell Crain (Victoria Pedretti/Violet McGraw), reunir a família novamente.

A história é contada através de duas linhas temporais: o passado, quando as crianças ainda estavam na casa e o presente, com cada irmão tendo que lidar com seus problemas pessoais. Logo no primeiro episódio isto é estabelecido. Porém, não é revelado tudo o que aconteceu na residência Hill de uma só vez. O espectador vê apenas flashes do que ocorreu, aumentando o suspense em torno da família Crain.

Outra regra presente nesta obra cinematográfica é o ponto de vista. A série conta com 10 episódios, dos quais 7 apresentam praticamente as mesmas cenas, do ponto de vista de cada personagem e o que o levou a chegar naquele momento.

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Estas especificações são interessantes para tornar a série singular. Por mais que alguns episódios cansem, ao apresentar esta mesma “norma”, o público aceita, já que a curiosidade sobre tal personagem e sua história é maior do que a espera para sabê-lo.

Ainda sobre os episódios, o que tirou alguns pontos de A Maldição da Residência Hill é a monotonia de alguns capítulos. A série, que muitos esperavam que fosse repleta de sustos a todo momento, é muito explicativa, o que faz demorar para “virar a página” em certos aspectos.

Contudo, o roteiro é coeso neste ponto. Ele cria muitas perguntas, o que, necessariamente, leva mais tempo para explicá-las. E a direção de Mike Flanagan é didática a ponto de querer transparecer que tudo ali faz sentido, e não apenas que aquilo é porque é.

O que mais chama a atenção, tanto da crítica quanto do público, é na produção de alguns episódios. Mais especificamente o 6º, no qual está para ocorrer o funeral de uma das personagens e a família Crain se reúne para se despedir. O que acontece é que temos praticamente o capítulo inteiro feito em planos sequência, que é quando o filme aparenta ter uma linha contínua, sem cortes na edição.

A Netflix já divulgou como foi a produção deste episódio em vídeo, mas antes mesmo disso já podia-se afirmar o quão magnífico é ver isto na tela.

Making Of de “Duas Tempestades”, episódio 6 de A Maldição da Residência Hill

Esta utilização dos planos sequência valoriza muito a atuação dos atores, visto que há mais falas a serem decoradas e, neste caso, mais efeitos dramáticos a serem representados durante o velório.

Aliás, este prestígio com as personagens é um dos focos da série. O espectador, através de cada ponto de vista, se identifica com eles. Alguns mais do que outros, mas acima de tudo com a família Crain.

Todos os 7 Crain (os cinco filhos e os pais) possuem arcos dramáticos secundários dentro da trama. Por isso, fica difícil listar alguns destaques de atuação, mas pode-se afirmar que Nell Crain (Victoria Pedretti/Violet McGraw) e Luke Crain (Oliver Jackson-Cohen/Julian Hilliard) estão bem representados tanto em suas versões adultas quanto jovens.

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Vale ressaltar também um ponto alto do roteiro: a evolução de Steven Crain ao longo da série. Michiel Huisman começa trazendo um “Steve” descrente e cabisbaixo e termina como o personagem que mais entende o “paranormal” da residência Hill.

A trama é coesa e se percebe o cuidado de roteiro e produção para conectar todos os pontos do enredo. Cada capítulo se entrelaça em outro e assim é formada a história da família Crain.

A Maldição da Residência Hill é uma série que prende atenção do público. Com poucos sustos e mais drama, a obra de Mike Flanagan já está no quadro das melhores séries originais Netflix.

8,5

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