Crítica | Elite (1ª Temporada)

Crítica | Elite (1ª Temporada)

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A Netflix parece ter o dom e a ambição de transformar histórias comuns em obras extraordinárias e memoráveis. Desta vez, em parceria com a Zeta Produccione, a série espanhola Elite conquistou o público através das semelhanças com a nossa realidade.

Elite estreou no serviço de streaming dia 5 de outubro de 2018 e conta com 8 episódios em seu catálogo. A trama começa quando três bolsistas ingressam em Las Encinas, uma escola de prestígio na Espanha, e não são bem recebidos pelos alunos locais. Por fim, um assassinato acontece e a série utiliza flashbacks para mostrar quem pode ser o culpado.

Lendo a sinopse acima, a história de Elite não parece muito atrativa, assim como seu episódio piloto. O conflito entre classes, relacionamentos conturbados e personagens maniqueístas são aspectos já batidos em obras cinematográficas. Contudo, esta é apenas a introdução.

O que parecia ser mais do mesmo, copiando características físicas de Rebeldes e enredo de Os 13 porquês, enriquece de singularidades a partir do segundo episódio, com a maior delas sendo: a coragem exibicionista.

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Se tem um aspecto que marca Elite e fará a série ficar na cabeça dos fãs é o alto número de cenas fortes.

Consumo de drogas, sexo (heterossexual, homossexual e sexo a três), masturbação, traição, e brigas de rua e corrupção são elementos que estão presentes em praticamente todos os episódios. Porém, na maioria dos casos, eles não estão ali só para “chocar” o espectador.

Com exceção da nudez descontrolada, há um contexto para estas cenas. Elas estão ali por consequência de atos anteriores das personagens ou até mesmo para ser a causa de acontecimentos futuros. Dá para dizer que tudo faz parte de “um plano maior” dentro da cabeça dos criadores Carlos Montero e Darío Madrona.

Apesar de não haver tanto “atentado ao pudor” na Espanha, as cenas mais pesadas exigem interpretações mais concisas, em que o ator realmente se sinta à vontade e passe a mensagem para o público.

Este é outro ponto que Elite acerta em cheio: os atores. O elenco principal inteiro merece aplausos de pé. Dentre onze atores e atrizes, nove nos apresentam personagens complexos e difíceis de interpretar e conseguem sair por cima nessa jornada.

María Pedraza traz uma Marina repleta de camadas e percebe-se toda dramaticidade na personagem. Omar Ayuso e Arón Piper apresentam Omar e Ander, o casal gay, na pitada certa, quebrando tabus cinematográficos para uma série deste nível.

Contudo, meu destaque vai para outro ator que, devido ao grande número de personagens esféricos, este teve que interpretar um papel raso, sem muitas variações.

Miguel Bernardeau conseguiu transformar um simples Guzmán (o garanhão sisudo e irmão da protagonista) em um dos mais queridos de toda série. Ao longo dos episódios, percebe-se que ele não é aquilo que foi destinado a ser, questionando até o seu lado na história.

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O seriado exibe uma cronologia coesa, contando a história do assassinato através de flashbacks. Este aspecto desperta o lado “investigador” do público, que tenta resolver este mistério em cada episódio.

Visualmente, também não há o que reclamar. A fotografia da série não ostenta grandes exibições, mas segue a clássica lógica: cores quentes para cenas fortes, cores frias para cenas tristes e cores claras para momentos de descontração.

Elite é mais uma série espanhola que marca o público. Ainda nos dias de hoje, tratar assuntos que são tabus com tanta naturalidade, a ponto de expor cenas fortes na tela é um ato de coragem. O seriado já está renovado para uma segunda temporada, ainda sem data de estreia.

9,5

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