Crítica | Shawn Mendes - Shawn Mendes

Crítica | Shawn Mendes - Shawn Mendes

Não é muito difícil se apaixonar pelo conceito de Shawn Mendes. Do lado pessoal, um jovem de 19 anos extremamente politizado, educado e devoto ao seus fãs. Da perspectiva musical, o mesmo jovem de 19 anos com um alcance vocal invejável, com músicas facilmente relacionáveis, e finalmente, depois de 3 álbuns, a aparição de uma personalidade musical.

O momento que Shawn se encontra é difícil na vida de qualquer artista. É aquela transição para o que você realmente almeja ser musical e artisticamente, afinal, o tempo passa, as pessoas envelhecem e ninguém pode depender pra sempre do público teen para fazer música. 

Coincidentemente ou não, o 3 LP do cantor, auto intitulado ''Shawn Mendes'' finalmente apresenta uma perspectiva de ideia artística do que é Shawn Mendes. Ele tenta não cair no conceito de ser simplesmente um Ed Sheeran Canadense durante seus 40 minutos de álbum e é clara a tentativa de fazer as baladas clichês não tão predominantes no trabalho mais ambicioso dele até então.

Aqui, Shawn traz o maior responsável por seu sucesso: Sua simplicidade e facilidade para falar sobre o amor de uma forma inocente e despretensiosa, mas, por outro lado, nos apresenta alguns elementos e escolhas novas em relação a produção, ainda não vistas no seu repertório, e começa a trabalhar o seu até então desconhecido falsete.

O álbum começa com o talvez melhor single do cantor, ''In My Blood''. Além de tratar sobre ansiedade, o que representa uma maturidade no trabalho lírico de Shawn, é potente e atmosférica conforme o som se dilata e a percussão cresce continuamente até a voz de Mendes tomar conta do refrão. Percebemos influências de um lado mais Rock (Kings Of Leon) do que Pop na produção aqui, mostrando a evolução e alguns bons caminhos alternativos para ele, o que não poderia ser mais animador para a primeira música do álbum.

Logo em seguida, em ''Nervous'' e ''Lost In Japan'' nos mostra outro lado inexplorado. Shawn expõe seu lado mais R&B e Funky, e aparece mais engajante, sedutor e maduro do que nunca. Pela primeira vez em diversas músicas o que dita o ritmo  não é o violão mas sim o baixo, com um ótimo groove. Where Were You in the Morning segue a mesma linha das duas faixas mencionadas e notabiliza um progresso pessoal e músical do Cantor. Musicalmente falando é uma das performances vocais mais seguras do álbum, já pessoalmente, é como se, entre seu penúltimo álbum e a criação de ''Shawn Mendes'', alguém começasse a fazer sexo, passando de paixões platônicas para casos de uma noite.

Patience (Illuminate):
''First you say you love me then you say you don’t
I wake up in the mornin' and I'm all alone
Tell me that you're with it then you say you won't
Can you make your mind up?''

Where Were You in the Morning (Shawn Mendes):
''Where were you in the morning, baby?
You didn't leave your number for me
Left me without a warning, baby
I said where were you in the morning, baby?''

O problema é que a segunda metade do álbum perde muito seu valor de entretenimento, apesar de alguns destaques pontuais, como Particular Taste que lembra muito ''Make me Feel'' de Janalle Monáe, e ''Perfect Wrong'' que transborda vulnerabilidade e se torna ímpar em relação a qualquer outra balada presente aqui.

Shawn não se entrega completamente a essa transição já comentada. ''Fallin' All In You'' é uma música de Ed Sheeran cantada por Shawn mendes. ''Because I Had You'' é exatamente igual a ''Love Yourself'' de Bieber, e as outras faixas que estão aqui pra completar o álbum voltam ao fator falta de originalidade. Nada nessa segunda metade é propriamente ruim, só, após a primeira parte de ''Shawn Mendes'' nos apresentar um lado inovador e empolgante do cantor, e conhecendo todo seu talento, retroagir para músicas que poderiam ser cantadas por qualquer cantor pop genérico é frustrante.

6

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