Crítica | Jay-Z - The Blueprint

Crítica | Jay-Z - The Blueprint

Sempre que Jay-Z fala que está de volta em "The Ruller's Back", um sax toca. Não é um som barulhento e alto, é mais como uma calorosa recepção para o homem que ali tomaria a coroa do rap, e não tiraria por um bom tempo. 

E por uma boa parte aqui, Jay-Z estava fazendo o melhor álbum de rap de todos os tempos. Durante esta parte, ele largou uma das, se não a melhor diss track já feita em "Takeover", seu auge na briga com Nas; um icônico hit que utiliza Jackson 5 de sample na maravilhosa "Izzo (H.O.V.A.)"; uma homenagem à todas as garotas ao redor do mundo na irresistível "Girls, Girls, Girls"; a imponente "Hola' Hovito" e seu contagiante refrão; e uma simples, mas ressonante pergunta a todos que esperam sua caída em "Heart of the City (Ain't No Love)". Por muitos momentos aqui, ele estava em um nível acima de que qualquer outro rapper tenha chegado, elevando todas as produções para patamares gigantescos. Era fácil produzir para Jay-Z, toda batida que ele rimava sobre parecia ser a planta, a blueprint, para uma nova ideia, ou a fórmula perfeita para melhorar cada velha ideia. 

Álbuns são feitos, lendas são contadas. Aqui se diz que tudo foi feito em dois dias, em uma época onde Shawn Carter encarava acusações criminais e poderia até mesmo ir para a cadeia. O álbum também saiu no mesmo dia em que os ataques de onze de setembro ocorreriam, o que possivelmente baixou um pouco o número de vendas. Essa ideia dos dois dias parece absurda, mas quando você examina sua performance durante todo o registro, você se pergunta se não seria o caso. Suas maiores habilidades sempre foram a aparente tranquilidade, e em um excepcional controle de cada centímetro de seu trabalho. Aqui, além disso, há um tom de realeza, um ar mais alto em sua voz, como se ele soubesse qual seria o resultado deste álbum. 

Tem muito o que elogiar à Kanye e seu soul sampling aqui. "Heart of the City (Ain't No Love)" é uma música urbana e apaixonada, uma genial antítese às letras sobre a falta de amor de sua cidade. "Never Change" quase cai em território piegas por uma quase falta de entrosamento entre performance e produção, mas sucede como um todo. Mas é em "Izzo (H.O.V.A)" que suas melhores habilidades se encontram. Utilizar Jackson 5 de sample e conseguir uma grande música como resultado não é algo fácil de se fazer. As letras de Jay se relacionam com o sample em lembrar sua infância, enquanto fala sobre como ela afetou sua vida antes e agora. Como suas melhores músicas, traça suas decisões, investiga sua história, e coroa cada conquista, como que sabendo que ele pode não ter escolhido o caminho certo, mas fez a escolha certa

Crack's in my palm, watching the long arm of the law / So you know I seen it all before / I've seen Hoop Dreams deflate like a true fiend's weight / To try and to fail: the two things I hate
/ Succeed and this rap game: the two things that's great

Just Blaze merece crédito também, sendo que suas contribuições oferecem outras visões sobre a imagem do hustler. "Song Cry" deve ser sua música mais tocante, uma balada rap, forte e efetiva, falando sobre o fim de um relacionamento do jeito mais legal possível. "Girls Girls Girls" é um carinhoso e ironicamente engraçado comentário sobre nacionalidades, raças e esterótipos sociais, tudo enquanto preza o amor universal. A garota negra que fala estalando os dedos, a modelo que não sabe cozinhar ou limpar, a garota chinesa que contrabandeia suas coisas, a jovem que é tão imatura, e por aí vai. Como alguém consegue fazer isso sem soar nada ofensivo é além do meu entendimento.

Muitos (Nas incluso) discutem, discutem não, alegam que o verso de Eminem em "Renegade" é claramente superior ao de Jay-Z. São abordagens diferentes, enquanto ambos falam sobre como os críticos tratam suas carreiras, Eminem é mais direto, divertido, enquanto Jay interliga sentimentos mais profundos à suas letras. O fato é, que produzida por Shady, é uma música que seria uma luva em "The Marshall Mathers LP", mas que acaba entrando como aquela bela mobília que poderia ser repensada no projeto da sua casa em "The Blueprint". Foi o único momento que pudemos ver dois dos melhores rappers de todos os tempos trabalharem juntos, e ele deveria ser apreciado tanto quanto é discutido.  

"The Blueprint" é uma obra prima, ponto. A verdadeira planta de como se fazer um grande disco de rap, e pela maior parte de si, está em um nível que ninguém chegou no gênero. Até mesmo sua única "falha" é uma excepcional música de rap. Aqui Jay-Z é um gênio, ele é onipotente, ambicioso, transcendental. Coloque todas essas palavras juntas e uma nova sai disso. GOAT.

9.9

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