Crítica | Jay-Z - Vol. 2... Hard Knock Life

Crítica | Jay-Z - Vol. 2... Hard Knock Life

Não tendo a tarefa -  que ele impôs para si mesmo - de se tornar popular para validar sua coroação como melhor rapper vivo fez maravilhas à Jay-Z. Ele recuperou sua flexibilidade e tranquilidade, e sem se preocupar desesperadamente com o rádio e sim em fazer um bom álbum, ele atingiu as duas coisas. "Vol.2" vendeu mais de 10 milhões de cópias mundo afora, transformou Jay-Z em uma estrela e, o mais importante, foi uma grande melhora de seu antecessor. 

Todas as músicas na primeira metade tem pelo menos algo para te deixar realmente interessado. Ainda é um som das ruas, mas com um processo de polimento e mixagem muito mais consistente, onde é possível distinguir pianos, guitarras e baixos, funcionando em harmonia, auxiliando as rimas de Jay, e deixando cada um dos refrões memoráveis e contagiantes. Alguns recursos, como o som mais sintético em "Money, Cash, Hoes", muito bem produzida por Swizz Beats, ou o refrão cantado por crianças em "Hard Knock Life" adicionam toques interessantes para o tom urbano do álbum.

Os temas são parecidos com seus antecessores, mas ele não está mais pensativo sobre sua transição para o estrelato do que a está atestando. Ele confronta outros rappers em "Ride or Die"“I might make more money on your album than you”, celebra sua própria vida em ‘If I Should Die’, e ostenta muito em "Nigga What, Nigga Who", mesmo que soe quase como uma poesia.“Now she's mad at me cause Your Majesty Just happened to be a pimp - what a tragedy”. Considerando seu novo status dentro do rap, ele consegue se gabar de diversas coisas e ser convincente sobre elas. "Money, Cash, Hoes" é tão simples, mas você sabe, nós gostamos. 

Seu flow ainda é a grande força que faz as coisas girarem, e aqui ele está mais masterizado, funcionando em diferentes escalas, aprofundando cada história. Na movida a soul "A Week Ago", ele está lento, mas constante, falando sobre como amizades podem ser mudadas pelas drogas. O grande ponto das letras de Jay-Z é que ou elas sugerem diversos outros significados, ou são tão diretas que parece que ele está rimando para si próprio, não para os outros. Ele consegue ser carismático com suas contemplações sobre a fama, e ainda valida músicas como "Can I Get A", sexista, mas extremamente divertida e contagiante. E é claro, "Hard Knock Life" é a clássica música que o transformou em uma estrela, a história do pobre que virou rico e tudo que envolveu essa mudança, lembrando o duro passado com nostalgia, e abraçando o brilhante futuro a frente. 

Não é um álbum perfeito de qualquer forma, por mais que a produção e ele próprio estejam em níveis altamente elevados. Jay-Z pode carregar faixas, mas raramente outros rappers. Quase sempre que há um verso de outro artista parece como um serviço de amizade, sendo que poucos deles estão no mesmo planeta de Jay. "Reservoir Dogs", como exemplo, não tem nada do que fez o filme um clássico e poderia facilmente ver uma melhor escolha de membros. As últimas faixas não seguem a evolução crescente do álbum. Jay impressiona aqui e ali, mas uma hora parece muito tempo para um álbum que seria excepcional caso utiliza-se 15 minutos a menos. 

"Vol.2" não é um clássico indiscutível como muitos sugerem, mas é um trabalho altamente respeitável, que imerge nas origens de seu artista e contextualiza sua subida a fama coincidindo justamente com o ponto em sua carreira que ela alavancou. Jay-Z é um mago em fazer rap, e aqui ele faz jus ao alto patamar estabelecido em sua estreia. 

8.2

 

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