Crítica | Mac Miller - Swimming

Crítica | Mac Miller - Swimming

Todo artista passa por esse momento na carreira. Uma grande epifania sobre si mesmo. Aconteceu com Chance em ‘‘Coloring Book’’, com Tyler em ‘‘Flower Boy e com Frank em ‘‘Channel ORANGE’’. Embora a sonoridade de Mac Miller seja marcada por melodias mais ‘‘funky’’, a tristeza aqui alcança uma melancolia tão verdadeira que Swimming, além do melhor trabalho do Rapper até então, também é o mais relacionável.

Seja pelo rompimento com Ariana Grande, ou qualquer outro motivo por trás da inspiração de Swimming, Mac Miller saiu completamente de sua zona de conforto, e isso em sua musicalidade como um todo. Seu flow está mais arrastado e sua voz melhor do que nunca, pois aqui Miller canta tanto quanto rima pelo simples fato de seu quinto LP não tratar de uma situação feliz o suficiente para deixar seu flow deliberadamente fluir. O piano se faz mais presente que seus álbuns anteriores e instrumentos orquestrais aparecem com frequência.

É com essa pessoalidade que, de forma simples, convincente e poética, em 13 faixas, Mac Miller nos leva por uma eficiente viagem à seu auto descobrimento.

Come Back To Earth, nos joga na cara essa noção de auto aceitação, mas mais que isso, é na primeira música do álbum que com seu piano tênue e com sintetizadores que intensificam o otimista, embora triste, discurso de Miller, que nos é apresentada essa nova camada de sua atmosfera.

‘‘And I was drowning, but now I'm swimming
Through stressful waters to relief ‘‘

Em contraste com a confessional e ótima ‘‘Hurt Feelings’’, Miller, com ‘‘What’s the Use’’, ‘‘Perfecto’’ e ‘‘Ladders’’ traz consigo ainda uma versão mais polida de seu ‘‘eu’’ antigo, cada uma tracks nos mostrando algo diferente. A primeira, que conta com um ótimo refrão, vocais de Syd e Snoop Dog e um groove excelente (Deus abençoe Thudercat), é provavelmente a melhor música do álbum, seguido pela contagiante e metafórica Ladders e mostra, assim como ‘‘Dang!’’, que é aqui onde o Rapper sabe que brilha. A segunda, um pouco entediante, mas que traz muito de ‘‘Divine Feminine’’ salienta o quão necessária era essa mudança, porque apesar de ser eficiente e pontual naquilo que faz de melhor, Miller tinha nos dado muito do mesmo em 4 álbuns diferentes até então.

Durante a procura de novas águas para se nadar, por vezes Mac Miller transborda sentimentalismo. As consequências são variadas. Esse excesso pode trazer consigo as tediosas e comuns ‘‘Wings’’ e ‘‘Small Words’’ ou a ótima ‘‘Self Care’’ e a linda e vulnerável ‘‘2009’’.

Aliás, é incrível ver a evolução do cantor no álbum culminando em ‘‘2009’’. É quase impensável imaginar Mac Miller com uma música com tanta vulnerabilidade em mãos. Incrivelmente, tudo contribui, desde seu piano à seus estalos de dedo e sua letra, a nos levar a compreender que, apesar de lento e por partes tedioso, o processo de crescimento do Rapper o trouxe paz, assim com ‘‘2009’’ a quem a escuta.

‘‘It ain't 2009 no more
Yeah, I know what's behind that door "

7,5



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