Crítica | Bruno Mars - 24K Magic

Crítica | Bruno Mars - 24K Magic

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O que se pode almejar mais quando você alcança o que ele alcançou? Unorthodox Jukebox fez um sucesso estrondoso, teve dois números 1 e outro top 5, e mesmo assim Mars ainda conseguiu manter seu amor pelo retrô e fazer isso funcionar. Em 2014, foi a vez de Mark Ronson se aproveitar de sua popularidade, e lançar uma das músicas de maior sucesso de todos os tempos em 'Uptown Funk', que ficou 14 semanas em primeiro na Billboard. Agora ele está de volta com '24K Magic', um álbum que não supera o sucesso de seu predecessor, mas faz sucesso o suficiente para que Mars continue sem se preocupar com o que foi mais sacrificado aqui. 

Ele tem um gosto estranho para nomes de álbuns, que começou com 'Doo Woop & Hooligans', foi para 'Unorthodox Jukebox' e agora '24K Magic'. Pelo menos dessa vez o nome tem algo a ver com seu conteúdo. Um álbum sobre sua vida atual, seus luxos, seu aparente amor incondicional por diversas mulheres. Não fosse sua habilidade inegável de criar melodias e refrões, seria tudo imensamente vazio. 

O álbum é tão relevante quanto seus sons, e isso não deve ser lido como uma crítica, mas para falar que apenas eles existem aqui. Seu estilo é perigoso, toda faixa tem melodias poderosas e o charme da sua produção retrô é difícil de resistir, mas as letras de Mars parecem uma peça dividida em nove. Chamando garotas para dançar, festas e imagismo barato para sexo, ele nunca pareceu tão preguiçoso liricamente, algo que é parcialmente escondido vide suas habilidades já mencionadas. 

A faixa título é o principal exemplo disso. Um single gostável, que foi feito para o rádio e como uma clara sequência de 'Uptown Funk', mas com certeza uma das mais vazias demonstrações de composição do ano. Ele usa dos mesmos truques que o single com Mark Ronson conseguiu fazer ser tão popular. Coro em certas frases gritadas, "uhs", trompetes altos, é uma música divertida, sobre nada. Mas Mars tem charme, e ele consegue fazer com que boa parte das músicas funcionem por causa disso. 'Chunky' deve grudar na sua cabeça e tem uma excelente melodia, mas não significa nada , e faixas como 'Perm' mais parecem dejetos de álbuns dos anos 70. 

Quando ele está mais sentimental, parece um pouco forçado e quase brega, assim como tudo que era lançado naquela época é visto hoje em dia. A OK 'Versace on the Floor' é tão início de anos 80 como uma música pode ser, falando sobre sexo sem nunca falar nele propriamente, e recria muito bem o período que se baseia. Ele estica seus vocais e em muitas vezes você levanta as sobrancelhas, surpresos por algo que as vezes esquecemos: Mars é um grande cantor. Não o melhor que se tem por aí, mas bom o suficiente para que sua performance faça o disco todo render mais. 

24K Magic é um álbum estiloso, que não vai fazer Mars maior do que ele já é. Mesmo com toda a falta de vontade em torná-lo conceitualmente mais complexo, 24k Magic é possivelmente seu melhor álbum quando ouvido pela primeira vez. A produção merece elogios, seu canto nunca falha e normalmente não se presta atenção na fraqueza das letras até que se leia o que se está ouvindo. Deve funcionar bem por agora, mas praticamente destrói nossas expectativas de ver um artista fazer música boa sem perder seu apelo comercial.

7

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