Crítica | The Weeknd - Starboy

Crítica | The Weeknd - Starboy

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Mais repentino do que qualquer coisa nos últimos anos, The Weeknd tomou conta do mundo da música. Ele e seu cabelo foram provavelmente o assunto mais falado de 2015, quando "Beauty Behind the Madness" e seus singles dominaram o ano. E ainda assim, as pessoas estavam mais impressionadas com o que descobriram de anos atrás. Quem é esse cara, que canta sobre usar drogas, sexo e viver uma vida insana? Quando finalmente tivemos tempo de processar, ele voltou do nada com nada menos do que uma colaboração com Daft Punk. E fomos novamente atraídos para seu mundo. 

"Starboy" pode ter sido lançado apenas um ano após seu último álbum, mas ainda assim ele não parece apressado. Não, The Weeknd tem uma tranquilidade pouco comum para artistas pop, sempre que ele canta parece natural, como se aquela fosse apenas mais uma canção e talvez isso seja o grande negócio de "Starboy". Fora por cortes mais profundos como 'Sidewalks', 'Ordinary Life' ou até 'Starboy' por si mesma, quando ele consegue com sucesso falar sobre sua vida de antes e de agora, ele é plano e simples. Mulheres, festas, amor, decepções, drogas, álcool, sexo, realmente não há nada de novo nos conceitos, mesmo que ele ainda tenha a habilidade de abri-los em novas direções, explorando diferentes lados de cada relacionamento do que os normalmente utilizados.

Em questão de produção, é um avanço de "Beauty Behind The Madness. Não se pode categorizá-lo como um álbum R&B ou Pop, aqui há traços de Disco, Jazz, Rap e até palmas e música Etiopiana (False Alarm). O produto final, no entanto, pode ser chamado de um álbum da noite, um que funciona apenas quando as estrelas (piada intencional) estão no céu. Seus vocais são essencialmente tirados do Rei do Pop, mas seu estilo se inclina mais para Prince e David Bowie aqui. 

Na maravilhosamente produzida e retrô 'Secrets', seus vocais lembram muito Bowie, enquanto ele fala sobre uma garota que fala seus segredos não durante o sexo, mas após ele. São letras simples, mas sugerem significados muito mais profundos. Me faz pensar se pelo menos metade do álbum não seria destinado à Bella Hadid após o fim de seu namoro. 'Rockin' é uma mistura das eras de 'Off The Wall' e 'Thriller', e é irresistível demais para não agradar. Em 'A Lonely Night' ele brinca com sua voz em outra música Disco, estilo final dos anos 70, início dos 80, e isso é perigoso, pois ele pega o refrão óbvio e o leva para as alturas. Na subsequente 'Attention' ele faz o mesmo, e não se engane, ele pode fazer de novo e salvar a mais do que cliché 'Die For You' e fazer muito pela ainda mais genérica 'Nothing Without You'. 'True Colors' parecia uma balada do final de carreira de Michael Jackson, mas a melodia no refrão a faz uma das melhores baladas do ano. 

Em seus pontos mais altos, 'Starboy' é um dos álbuns mainstream mais rico dos últimos anos. A faixa título é uma curiosa investigação no comum conceito de fama, com uma tremenda produção eletrônica em loop pelo duo de robôs franceses. Pode até não ficar presa na sua cabeça, mas sempre que começa, você é totalmente magnetizado. 'Party Monster' e 'Reminder são completamente opostas musicalmente, mas ambas tem The Weeknd narcisisticamente se gabando em um jeito convincente, a primeira feita para ser um grande hit, e a segunda uma favorita dos fans ("If it ain't XO, than it gotta go" já está em todos os lugares). "All These niggas tryna sound like all my old shit", ele canta em 'Reminder', e sim, é verdade. 'Sidewalks' é talvez a música mais poderosa aqui, com ele rimando friamente sobre seu passado em cima de uma produção bombástica que explora os trompetes com uma atmosfera nebulosa, e este definitivamente não é apenas mais um verso de Kendrick, é um que se justifica, em uma música que encaixa com a história de ambos os artistas.

Mas sim, Starboy tem muitas músicas, dezessete e mais a intro com Lana Del Rey, e algumas parecem desnecessárias. 'All I Know' e 'Six Feet Under' ocupam dois espaços quando Future devia ter apenas um, e a segunda nada mais é do que uma versão tão contagiosa, mas menos exploradora de 'Low Life'. 'Love To Lay' é pura diversão, mas é vazia. 'Ordinary Life' tem letras inteligentes, mas o refrão é preguiçoso. E não me entendam mal, vocês provavelmente vão se pegar cantando todas essas e as procurando em uma menor escala, mas elas são fillers. Pelo menos 'False Alarm', que talvez seja a mais difícil de ser gostada em todo o álbum, tem um vídeo tão incrível que compensa

No entanto o auge do álbum está em seu final, em outra canção retrô, e talvez uma das mais leves de sua carreira. Imagine a mistura perfeita de 'Get Lucky' e 'Can't Feel My Face', e você terá 'I Feel it Coming', a segunda colaboração com Daft Punk. É uma faixa feel good, feita para dançar, e no fundo tem aquele tom sombrio que faz de The Weeknd um artista tão interessante. "You've been scared of love and what it did to you, you don't have to run, I know what you've been through, just a simple touch and it can set you free, we don't have to rush when you're alone with me" ele canta antes de repetir a mesma frase em cada refrão, e te levar junto todas as vezes. A música fecha o álbum da forma mais inteligente, quase como se dizendo que ainda há mais por vir. 

'Starboy' não é melhor que 'Trilogy', e pode ser discutido que "Beauty Behind The Madness" seja mais limpo, mas não se pode ignorar o fato de que um álbum poderia fazer de todas as suas músicas um hit, e ainda assim explora sua musicalidade do jeito que este faz. The Weeknd parece totalmente no controle de sua música, e enquanto ele demonstra tranquilidade, sempre que ele canta parece que está totalmente dedicado. Ele é um dos melhores cantores do mundo, e um dos artistas Pop mais interessantes que tivemos em um longo tempo. Esteticamente não deveria ser tão revolucionário, mas sua influência e popularidade sugerem que será, e sim, ele sabe disso. He definetely feels it coming. 


8.4

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