Crítica | Jaden Smith - Syre

Crítica | Jaden Smith - Syre

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Filho de Will Smith, ator, fashion designer e pérola do Twitter. E Rapper, mas quem não é ou quer ser hoje em dia. ''A maioria das árvores são azuis'', ''Morrer é Mainstream'' ou ''como espelhos podem ser reais se os nossos olhos não são reais'' são alguns dos pensamentos pseudo-filosóficos de Jaden Smith em sua rede social.

Em ''Syre'' o exibicionismo e excentricidade dele se mostram em praticamente todas as Tracks do álbum, sendo a pior coisa que poderia acontecer.

Durante 17 faixas e SETENTA MINUTOS, adentramos a cabeça de alguém com complexo de Messias ou se considerando uma entidade sem ao menos ter conquistado uma única coisa em sua carreira musical. O egocentrismo de Smith é tão grande que ele considera seu álbum, que levou 3 anos sendo feito, ''uma carta de amor feita para o mundo'', algo que só as pessoas do futuro poderiam entender, ou como em ''Breakfast'' ele insinua que vai salvar o Hip-hop. Tal carta de amor que possui letras como:

“Girl I’m Martin Luther, Martin Luther King/Life is hard, I’m Kamasutra-ing.”

Syre começa com a intro dividida em 4 Partes, ''B.L.U.E.'',  e é talvez o único momento em que o álbum não é medíocre. Na verdade, é grandioso. Claramente com os vocais e percussão inspirada em ''Yeezus''. ''B'' trata-se de Willow Smith cantando sobre Deus criando o homem, e sua continuação ''L'',''U'' e ''E'' é extremamente bem produzida, instrumentalmente caótico, bem polido e atraente, contando com um bom Flow de Jaden é um início sensacional, o que torna o resto do álbum ainda mais decepcionante e que não consegue esconder o quão horrendo, liricamente falando, esse LP é. Sinceramente é um dos piores trabalhos de escrita de 2017, como por exemplo:


“Man I’m artichokin’/I can’t breathe, that’s the art of chokin’.”
''Building seven wasn’t hit and there’s more shit to come/The Pentagon is on a run.”

 Levou 3 anos sendo feito.

Como se soubesse que o instrumentalismo do álbum é a única coisa que se salva aqui, e como se 17 músicas já não fossem coisa demais, Jaden em diversas faixas as estende de forma desnecessária como em ''Lost Boy'', uma música de 9 minutos que não muda em nenhum momento, ou ''Ninety'', essa com 8 minutos, onde o ''Rapper'' tenta fazer algo romântico, que chega a beirar o patético explicitando em sua letra uma vulnerabilidade vazia. ''Batman'' usa o Flow de ''Jumpman'', flerta com o Trap e é a música mais genérica que eu, você ou qualquer pessoa poderia pensar. Já Icon, que parece algo interessante a primeira vista, se torna mais vazia a cada vez que se a escuta de novo. Na verdade vamos parar por aqui, não há porque falar sobre todas músicas, se o problema é o mesmo.

Jaden Smith cita ''Blonde'' de Frank Ocean e ''The Life Of Pablo'' de Kanye West como principais influências para Syre, e fala sobre Kendrick Lamar em suas músicas. Na cabeça de qualquer pessoa é estranho falar sobre esses 4 no mesmo parágrafo, menos, provavelmente, na do próprio Jaden, que perdido em sua admiração própria, não percebe que diferente desse 3 artistas, seu álbum extremamente bem produzido, com flashes de brilhantismo, está em constante procura por alguém para acompanhá-la a altura.

5,3

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