Crítica | Rihanna - Anti

Crítica | Rihanna - Anti

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Em "Anti", a superestrela Rihanna muda a direção de sua carreira comandada por hits, escolhendo por fazer um álbum cheio de conceitos que englobam sua complicada vida amorosa, crescente maturidade e recentemente descoberta ambição musical... enquanto faz tudo isso ser um grande hit. Wow.

Ouvir um álbum assim de uma artista como Rihanna é ao mesmo tempo revigorante e duvidoso. É maravilhoso ver uma artista tomar uma atitude tão drástica quanto a sua música, que após o razoável número de vendas de seu último álbum, percebeu que estava ficando "velha" para os mesmos hits que todas as outras também cantam. Rihanna quis escrever seu nome de outra maneira. É duvidoso por conta de me pegar pensando se algum dia veremos isso de novo. É diferente de Beyoncé que gradualmente foi aumentando a extensão de seus trabalhos, "Anti" é uma mudança brusca. 

A única música feita para ser um hit é, como você deve saber, "Work", que mesmo que não seja sua melhor colaboração com Drake é facilmente a mais contagiante. Mas Rihanna é uma das três ou quatro artistas femininas mais populares do planeta e mesmo faixas complexamente paranoicas e pesadas nos sintetizadores como "Needed Me" encontram seu caminho para a multi-platina. Em "Kiss It Better", o impactante riff de guitarra abre bem para os esplêndidos vocais que encontram o balanço perfeito entre seus efeitos robóticos e sua entrega de coração partido. De nenhuma forma é uma faixa comum em sua discografia, descrevendo um relacionamento a muito acabado, mas ainda visceral em seu núcleo. 

Na talvez melhor faixa do álbum e, para quem quer que prefira a boa e velha cantoria acima da produção, a melhor da carreira de Rihanna, ela entrega uma de suas melhores performances vocais em "Love On The Brain". A música começa devagar e sensível mesmo que as letras sugiram algo muito mais complicado: "And I tried to buy your pretty heart, but the price too high / Baby you got me like "Oh" / You love when I fall apart (fall apart) / So you can put me together and throw me against the wall" e então atinge alturas inimagináveis quando ela solta sua voz, parecendo perder o controle o suficiente para dar aquele poderoso sentimento de soul. O resultado é algo tão interessante que mesmo na similar sequência "Higher" a magia não desaparece. 

"Anti" foi um risco, tanto comercial como artisticamente, que valeu apena exatamente por causa de sua forte ambição. Enquanto possui faixas que não jogam com suas principais forças, raramente algo está completamente fora de tom graças a estrutura pouco ortodoxa do álbum. "Woo" seria fenomenal na voz de The Weeknd (que co-escreveu) ou Miguel, mas parece segurar um tanto demais o seu sex appeal.  "Same Old Mistakes" é um cover da música do Tame Impala, "New Person, Same Old Mistakes", que liricamente encaixa perfeitamente no conceito do álbum e sua súbita mudança de direção na carreira, mas soa definitivamente melhor na voz de ambiente de Kevin Parker. "Desperado" e "Consideration" trazem elementos comuns do trap que, apesar de funcionarem, poderiam se beneficiar de uma produção reduzida. "Yeah, I Said It" traz um R&B lento, que nunca se lança ao alto, mas funciona bem como passagem. O peso no tom de "Anti" funciona, mas caso fosse melhor espaçado poderia fazer maravilhas. 

Pegue produções mais simples como a levada a violão "Never Ending" ou a linda balada de piano, cantada com vocais de jazz, "Close To You", que tornam a reta final de "Anti" talvez o melhor segmento do álbum. São viagens à um lado totalmente oposto que mostram uma nova maturidade dela ao falar em assuntos já abordados anteriormente. "Nothing but a tear, that's all for breakfast
Watching you pretend you're unaffected / You're pulling our connections, expecting me to let you go / But I won't"
. Mesmo que Rihanna não tenha nenhum crédito de produção ou composição aqui, ela dá sua cara a cada faixa de forma convincente. Escolher o que você vai cantar é uma subestimada qualidade musical, mas eu gostaria de ver o que seria um álbum escrito por ela. 

Rihanna fez história em um ano recheado de grandes conquistas musicais para a mulher negra nos Estados Unidos. Enquanto ela não é a artista completa que as irmãs Knowles se provaram e "Anti" não possa realmente figurar lado a lado com "Lemonade" ou "A Seat At The Table", sua importância tanto para Rihanna como para a música pop em geral não pode ser desacreditada. Não ignore "Anti", há poucos álbuns como esse por aí. 

7.8

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