Crítica | Good for You - Aminé

Crítica | Good for You - Aminé

Álbum disponível no final do post

É de conhecimento geral que Rap/Trap/R&B são os gêneros mais populares do mundo, hoje. A quantidade de música dessa categoria que chega a nós a todo momento é quase sufocante, e em meio a tanta coisa para se ouvir, sempre surge aquele ''1 Hit Wonder''. Aqueles artistas que aparecem do nada, obtém imenso sucesso com apenas uma música, e somem, aparecendo em uma feature ou outra, mas sem o mesmo impacto. Uma história bem sugestiva aqui, de um alguém totalmente desconhecido, vindo de uma cidade que historicamente nunca produziu ou lançou algum rapper bem sucedido.

Felizmente o Cantor de Portland não é dependente de ''Caroline''. Agudo, ímpar e charmoso, Aminé, de forma simples e despreocupada, fez um dos álbuns mais gostáveis do ano.

Quando digo despreocupado, é literalmente falando. Grande parte de Good For You é irresistivelmente alegre, como se fosse feito para ser ouvido imprudentemente em dias ensolarados e alegres. É um Rap que flerta constantemente com o Funk e o Pop, com um flow formidavelmente suave, e com músicas excepcionalmente produzidas e bem polidas. Não era de se esperar menos. O álbum conta com toques de Metro boomin, Frank Dukes ( ''0 to 100'', ''Fake Love'', ''Congratulations''), Disclosure, Malay, entre outros ótimos produtores.

Aminé conseguiu criar músicas leves, que soam futurísticas, mas que também conseguem ser nostálgicas e acolhedoras por toda parte.

O álbum começa de forma majestosa com ''Veggies''. Sua intro conta com uma orquestra radiante, seguido pelo Rapper cantando acompanhado de um suave e encantador riff de guitarra e uma atraente e leve percussão. Após sua primeira metade calma e envolvente, a faixa explode, a batida muda drasticamente, introduzindo perfeitamente a vibe do resto do álbum. Ele chega a rimar: I'm André's prodigy, can't find a hotter me''. E sabe, apesar de muito cedo pra comparações desse tipo, até que Aminé lembra um pouco André em seu Timbre e Flow. 

Porém, essa falta de preocupação pode ser uma faca de dois gumes. O modo de fazer Rap mais divertido e enérgico vem dando certo, Chance e D.R.A.M são perfeitos exemplos, mas é perigoso se você não tem nada a dizer a não ser algumas rimas engraçadas e um tempo acelerado. Você se divertir com um álbum não quer dizer que ele não vá se tornar esquecível em 1 ou 2 meses. Gratificantemente, Aminé fala sobre o amor em Caroline, Hero e Spice Girl; sobre a perda dele, em Wedding Crashers; tem destaque quando deixa a dor se impor sobre a leveza em ''Sundays''; e consegue ser reflexivo nas excelentes ''Turf'' e ''Money''.  Fica explícita a facilidade que ele tem pra falar sobre tudo, mas é nítido que que o cantor prefere se juntar a um dos melhores e mais contagiantes versos da música carro chefe do álbum:

''Cause great scenes might be great,
  But I Love your Bloopers''

Aminé quer falar sobre experiências amorosas, novas e antigas, quer flutuar em meio há tantas preocupações, se divertindo, mas sem ignorá-las. A pouco tempo acrescentou um verso Anti-Trump em Caroline, e declarou em ''Money'' que ''Falar que você não é racista soa tão racista''. Se baseando nisso, fica o gosto de quero mais e de um potencial real para falar sobre coisas socialmente relevantes e importantes, mas por enquanto ele deixa claro que é ótimo em ser contagiosamente animador e alegre.

7,8

Crítica | Frank Ocean - Blonde

Crítica | Frank Ocean - Blonde

Crítica | Lana Del Rey - Lust for Life

Crítica | Lana Del Rey - Lust for Life