Crítica HQ | Visão: pouco pior que um homem

Crítica HQ | Visão: pouco pior que um homem

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Pode parecer irônico, mas poucas personagens da Marvel são tão complexas quanto o Visão. Como um ser, que pensa de maneira objetiva como uma máquina, pode ser tão subjetivo? Este é o debate de “Visão: pouco pior que um homem”.

Esta versão, em capa dura com 140 páginas, foi lançada em 2018 e conta com Tom King no roteiro e Gabriel Hernandez Walta na ilustração. Diferente de algumas HQ’s, esta foca na sua personagem e não no enredo. É uma história do Visão e tudo o que ocorre é consequência de seus atos dentro da narrativa.

A trama traz o Visão querendo, mais do que tudo, ser um humano. Para isso, ele vai ao laboratório onde Ultron o criou e constrói uma família de sintozóides para si. Agora, Visão, Virgínia (sua mulher), Vin (seu filho) e Viv (sua filha) moram em Virgínia, a 25km da capital, Washigton, DC, onde pretendem viver sossegados e se tornarem parte da sociedade.

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Tudo parecia correr bem, quando o Ceifador – um vilão que busca vingança contra tudo e todos com quem Ultron já obteve contato – invade a casa dos Visões e fere gravemente Viv, quando o pai não está. De maneira desesperada, Virgínia acaba por usar seus poderes e matar o Ceifador, gerando um conflito interno na cabeça da esposa. Ao mesmo tempo, Vin acaba exagerando na força e deixa um colega da escola desacordado.

A HQ conta com um velho diálogo, presente também em muitos filmes de ficção científica: “a máquina querendo se tornar homem”. Porém, ao mesmo tempo é uma história de família, ou melhor, dos Visões querendo se tornar uma família.

A figura do narrador está presente o tempo todo na história. Aqui está minha única crítica negativa ao quadrinho. Por mais que toda a questão de “crise existencial” necessite de uma voz maior falando pelos atos das personagens, algumas imagens, principalmente no início, falam por si só.

Falando na ilustração, Walta não deixa a desejar. Porém, minha salva de palmas vai para Jordie Bellaire, o colorista da revista. As cores bem vivas representam bem o aspecto familiar da história. Quando o clima esquenta, percebe-se que as mesmas cores vão ficando com tons mais escuros, seguindo a trajetória da trama.

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“Visão: pouco pior que um homem” é uma HQ profunda com uma trama coesa. Os Visões querem ser perfeitamente humanos. Todavia, os seres humanos, em toda sua essência, não são perfeitos. No final da história, o pai da família percebe isso e deixa, pela primeira vez, de segurar as pontas e a vida rolar.

Por se tratar de um Vingador, muitas pessoas podem pensar em uma enorme trama que envolva vários outros heróis, mas não é o caso. Nesta história, o protagonista é o Visão e sua família. Quem está pensando em comprar a HQ, precisa saber disso. A leitura flui bastante, pois, apesar de profunda, ela é leve e de fácil entendimento. Fica a dica para se aventurar dentro da cabeça da personagem que possui mais neurônios de todo o Universo Marvel.

9,5

Crítica HQ | Vingança

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