Crítica | Vingadores: Guerra Infinita

Crítica | Vingadores: Guerra Infinita

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Vivemos uma época muito curiosa da humanidade. Enquanto o mundo vive incertezas, prenúncios de guerras, decisões que desafiam a democracia e o auge de discussões sociais desde o feminismo ao racismo, que nos levam a crer que cada passo a frente são dois para trás, as mentes brilhantes por trás de sagas como "Star Wars", "Harry Potter" e, é claro, o Universo Cinematográfico da Marvel, refletem os mesmos problemas deste mundo problemático que vivemos, porém disfarçados de histórias espetaculares e com uma dose de esperança que podemos apenas invejar. A verdade é que assistir filmes destas sagas, especialmente "Vingadores: Guerra Infinita", te faz querer acreditar que este mundo repleto de heróis possa ser, de alguma forma, real. 

Estes heróis, construídos pacientemente ao longo de dez anos e 18 filmes, são longe de serem perfeitos. Alguns são apenas "caras", outros lebres, outros árvores, alguns podem até ser homens, mas ainda tomam decisões erradas. Outros podem parecer genuinamente maus, mas são apenas confusos. 

Neste, o terceiro filme na (até então) trilogia mais bem sucedida da história, Anthony e Joe Russo fazem o impossível e culminam todo o maravilhoso trabalho da Marvel em um espetáculo, um evento de proporções mundiais que, em meio a todos os assuntos já comentados, tomou conta de todas as discussões mundo afora. O malabarismo de personagens, que são muitos, é feito com maestria, mesmo que um ou outro tenha menos tempo em tela e que os espaços entre seus arcos as vezes sejam longos demais, a sensação que fica é que o melhor possível foi realizado. É um feito inimaginavelmente difícil costurar um filme como este, e outro acerto da Marvel foi justamente manter a dupla de roteiristas Markus/McFeely que fez de "Guerra Civil" um dos melhores longas de 2016. 

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Algumas coisas são óbvias. Não há necessidade de se desenvolver ou apresentar personagens sendo que todos já apareceram inúmeras vezes, o que facilita para desenvolver a história em si. História essa que, justamente por ser dividida entre tantos núcleos, acaba tendo de ser simples para poder funcionar.  Thanos é um déspota nascido em Titã que quer coletar todas as jóias do infinito afim de obter um poder inimaginável que o tornaria capaz de apagar metade da vida do universo para, de acordo com o próprio, trazer equilíbrio. Por ser recheado de picos de emoção e ter seu tom aliviado de forma inteligente com o humor típico da Marvel, a simplicidade do roteiro não mais atrapalha do que parece essencial. 

As interpretações praticamente não precisam ser destacadas, todos os atores tem controle sobre seus personagens e estão profundamente investidos e felizes em participar deste filme histórico.

O carisma de Chris Pratt e Tom Holland, a presença imponente de Chris Hemsworth e Chadwick Boseman, o talento exuberante e sábio de Benedict Cumberbatch e Paul Betany, o ego gigantesco e insuportavelmente gostável de Robert Downey Jr., o heroísmo puro de Chris Evans, a representação feminina com excelência e maravilhosa diversidade de Scarlett Johanson, Danai Gurira, Elizabeth Olsen e Zoe Saldana. Além deles temos Peter Dinklage, Dave Bautista, os excelentes trabalhos de voz de Vin Diesel e Bradley Cooper, Tom Hiddleston,  Sebastian Stan, Anthony Mackie, Gwyneth Paltrow, Letitia Wright, e a lista segue.

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A sacada mais inteligente do filme, no entanto, está no fato de que nenhum deles é o personagem principal desta história. Esse papel fica para o vilão, Thanos, trazido a vida por conta de um belíssimo trabalho de captura de movimento de Josh Brolin. Diferentemente do que muitos acreditavam, Thanos é repleto de camadas e, apesar de ter ideologias e planos moralmente duvidosos, tem como objetivo trazer a paz e não a guerra. Vemos emoções e principalmente sentido em sua busca, o que conflita diretamente com a imponência e medo que ele traz. Nunca em um filme da Marvel fiquei tão apreensivo, incerto de que tudo realmente daria certo no final. As discussões morais que Thanos traz em sua busca são extremamente relevantes. 

Algumas decisões técnicas dos diretores tornam toda a experiência ainda mais imersiva. O trabalho de CGI é excepcional, contendo possivelmente a melhor sequência de ação do estúdio, superando até mesmo a do aeroporto em "Guerra Civil", e uma das melhores cenas de guerra em escala fantástica desde "Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei".  A trilha sonora é espetacular, engrandecendo todos os momentos, e o tema clássico e já icônico é maravilhosamente explorado. Impressiona a quantidade de cenas gravadas com a câmera na mão, principalmente em momentos onde o uso de CGI é massivo, técnica estratégica dos irmãos Russo que, mesmo em meio à momentos visualmente fantásticos, mantêm a escala humana.

A cada momento nos sentimos mais próximos de todos estes personagens que aprendemos a nos importar de verdade. Ver suas determinações, superações e até mesmo falhas, é algo extremamente pessoal. 

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"Vingadores: Guerra Infinita" é o melhor filme da Marvel por ser justamente a coroação que o estúdio tanto buscava. Apesar de ser, claramente, a primeira parte de algo ainda maior, é facilmente um dos maiores espetáculos que o cinema viu em anos recentes. Inegavelmente divertido, inteligentemente relevante, profunda e emocionalmente impactante. Pelo menos por algumas horas podemos esquecer do mundo real e nos entregar ao nosso lado criança. Poucas vezes o gênero super-herói foi tão bem representado.

9.7

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