Crítica | Homem-Aranha 3

Crítica | Homem-Aranha 3

Foram dois excelentes primeiros filmes, "O Cavaleiro das Trevas" ainda não existia, universos cinematográficos também não. "Homem Aranha 3" só precisava manter o nível de seus antecessores para que a trilogia fosse canonizada como o alto escalão dos filmes de super herói. Mas então... 

É, parece brincadeira, mas uma das cenas mais risíveis da história dos filmes de super herói é a culminação do maior dos problemas deste filme, que tinha tudo para pelo menos seguir o nível de seus antecessores. 

"Homem-Aranha 3" traz o diretor, roteirista e todo o elenco de volta para o terceiro longa do cabeça de teia. Velhas coisas funcionam como sempre, Tobey Maguire domina seu personagem, Kristen Dunst achou um balanço confortável como Mary Jane, Harry consegue implantar com sucesso a loucura que seu pai o deixou como herança, Tia May e J.K. Simmons continuam sendo o melhor casting de qualquer filme já feito.

O principal objetivo aqui era humanizar ainda mais o personagem de Peter Parker, mostrando que nem todo vilão é completamente mal, e que ele próprio não é um herói livre de defeitos. Algumas alterações no roteiro foram feitas justamente para enfatizar esse que era para ser um filme de aprendizado ao personagem. A ideia de transformar o Homem de Areia no assassino de Ben Parker, e adicionar o drama que ele vive por conta de sua família funciona, o transformando em um vilão não tão maléfico, mas valoroso.  

Mas uma coisa é certa. Sam Raimi não queria Venon em "Homem-Aranha 3". Eddie, interpretado (de forma mediana, é verdade) por Topher Grace já estaria no filme, ligando a possibilidade do vilão para sequências futuras, o mesmo ocorrido com sucesso com Harry e Doutor Conors no filme anterior. Mas adicionar um personagem completamente inumano, em uma franquia que deu certo por mostrar o lado humano de seus personagens não era a coisa certa a se fazer, pelo menos não naquele momento.

Várias outras decisões do roteiro são duvidosas. A Gwen Stacy de Bryce Dallas Howard não tem quase nada do charme da personagem, em momento algum vemos a menina altamente inteligente que deveria rivalizar com nosso apreço por Mary Jane, mesmo que o roteiro tente rebaixar um tanto suas qualidades. As tentativas de tornar o Homem-Aranha mais "malandro", para combinar mais com os quadrinhos, antes mesmo de Venom se apoderar dele não funcionam em quase nada. Há uma clara bagunça de informações com a quantidade de novos personagens e vilões, em um filme que parece a fórmula para a DC hoje em dia, coloque um grande clímax no meio e superpopule o final com quantos vilões conseguir colocar. 

A alta qualidade dos efeitos segura um tanto a bagunça narrativa que se instala durante todo o filme. Não ter Danny Elfman na trilha sonora após o excelente trabalho dele na franquia até então foi uma perda significativa, mas o filme compensa visualmente. É bastante interessante, mas preocupante ao mesmo tempo ver o Homem-Aranha com uma roupa negra, o crescimento de Harry como vilão e sua ameaça são bem fundados, e a primeira cena de luta contra o Homem de Areia é excepcional. Até mesmo o confronto final, bagunçado e exagerado como é, onde Mary Jane é raptada pela terceira vez, consegue se segurar por conta da boa qualidade da ação, e contém um eficientemente tocante desfecho. 

"Homem-Aranha 3" acerta em velhas coisas, tem efeitos impressionantes, e consegue ser até bem engraçado (mesmo que talvez não de propósito). Mas a bagunça narrativa, e a má utilização de personagens icônicos dos quadrinhos acabaram selando a trilogia de Sam Raimi com um final que não apenas incapacitou uma continuação, mas que não permite esta ser a segunda melhor série de filmes de super herói após o Batman de Nolan. Um filme divertido e tecnicamente bem feito, mas que não faz jus à alta expectativa que se tinha em cima dele. 

6

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