Crítica | The Florida Project

Crítica | The Florida Project

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Cores vibrantes, sinceridade ingênua, felicidade quase cega. Você ainda lembra da sua infância?

The Florida Project é o mais novo filme de Sean Baker. Depois de gravar o longa Tangerine através de um iPhone, ele nos traz essa nova história incrível e realista, também sobre uma sociedade marginalizada - tema que ele, entusiasta do cinema como potencializador da visibilidade e da empatia, adora tratar.

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Brooklyn Prince é um monstro em sua atuação e surpreende não só por sua inexperiência, mas por sua idade. Era exatamente isso que Baker planejou para o filme: tirar realismo do amadorismo. Bria Vinaite, que interpreta a mãe Halley, nem atriz era. Foi encontrada por seu perfil do instagram. Willem Dafoe, o único ator experiente do elenco inteiro, vive  Bobby, zelador do hotel que serve como uma figura paterna para as duas. Ele, no entanto, se retrai (sem deixar de brilhar quando deve) para que o foco seja mantido nas protagonistas. Essa escolha do elenco somada à locação real (com turistas reais passando de lá pra cá), à forte inspiração do movimento Dogma 95 e às diversas cenas dirigidas com liberdade e uma mão leve, mas cuidadosa, trazem um ar de realismo imenso que nos provoca facilmente o sentimento de empatia pelas personagens. É exatamente o que Sean Baker quer.

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Em um tom quase que improvisacional, somos apresentados a história de Moonee, uma garota que ri, dança, pula e causa aquele terror infantil sapeca em um motel humilde da Flórida chamado Magic Castle, que fica pertinho da Disney. A vida de Moonee e seus amigos, no entanto, não tem nada de mágica, e é aí que reside a ironia do filme. A mãe de Moonee, extremamente jovem, age quase como uma irmã mais velha para a garota, cheia de amor mas com uma mistura de boas intenções e más influências. Entre vender perfumes para turistas ou aplicar pequenos golpes, Moonee cresce solta e as duas vivem à beira de não ter onde morar.

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A história começa afastada e vai lançando progressivamente uma lente de aumento cada vez mais próxima na vida dessas personagens incríveis e na sua história, simplesmente pela persistência de acompanhá-los.

Uma história nada fantasiosa, que traz um olhar cru e compreensivo sobre crianças e famílias não-convencionais que vivem ao lado do mundo dos sonhos, mas cujas mães estão presas em suas próprias realidades complicadas.

O filme brinca a todo momento com o conceito de fantasia e realidade, mas não mostra coisas fantásticas. Mostra coisas reais pelo olhar fantástico de uma criança. A câmera baixa, sempre na altura do elenco infantil, ajuda a nos conectar ainda mais com eles. A importância do filme reside na geração de empatia com essa fatia totalmente invisível da população americana, que vive na sombra da Disney, se alimentando dos restos do capitalismo estadunidense. The Florida Project tem uma história rotineira e pode até parecer repetitiva a princípio, mas mostra a razão disso e sua tremenda importância: nos colocar na pele e no dia-a-dia da personagem. A Moone é incrível e Sean Baker sabe o que quer fazer, e o faz de forma brilhante.

9,5

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