Crítica | A Cura

Crítica | A Cura

Há uma cena específica em ''A Cure for Wellness'' em que o protagonista Lockhart anda sem parar, rumo a lugar nenhum. Ela é bem enquadrada e visualmente estilosa, e basicamente resume o filme em questão.

A realidade é que A Cura mostra potencial em todo seu primeiro ato. Pretensioso, consegue gerar mistério e suspense, usa e abusa do jogo de cores para gerar tensão e um certo desconforto, além de contar com uma fotografia que faz o filme parecer um clássico preso à 2017. Suas atuações são boas, com destaque para Dane DeHaan. O ator tinha a expressão, o tom arrogante e um olhar perverso o suficiente para deixar claro que ele não era nenhum mocinho. É admirável ver o que foi tentado aqui e depois olhar para seu resultado final, porque, de verdade, a diversas coisas para se apreciar.

Mas porque as atuações são boas não quer dizer que seus personagens também sejam. A sub trama de seu personagem principal é muito rasa, e agregando isso a sua personalidade desgostável não é como se alguém fosse se preocupar com ele depois de 2 horas. E é após grande parte das coisas serem estabelecidas e Lockhart começar a buscar por respostas que a história desmorona. O filme começa a soltar muitas pontas e deixa-las assim, tentando aprofundar (de forma desnecessária) cada vez mais sua história, mergulhando fundo sem destino nenhum. O resultado disso foi que passado a metade do filme a resolução da sua principal curiosidade já poderia ser facilmente resolvida. Não é anormal qualquer mistério de um filme mediano ser resolvido passado algum tempo, a diferença é que, nesse caso, seu roteiro se considera esperto demais ao tentar mexer com a cabeça de seu público, sem sucesso, e por esse motivo nos priva de personagens possivelmente interessantes.

E sinceramente, com um ritmo extremamente lento, momentos em que a trama da um passo pra frente e dois pra trás, e personagens que não há mais onde serem explorados, você simplesmente passa a não ligar. O impacto inicial que o filme tem é o mais frustrante, porque beira o excelente. Como se não bastasse as ilusões amorosas que acontecem durante a vida, somos iludidos por um filme de terror em pleno mês de fevereiro.

A Cura é incômodo mas não pelos motivos certos. Constrói um bom nível de suspense para depois o jogar no lixo a troca de praticamente nada. Tivemos diversos ótimos filmes de terror/thriller em 2016, e ainda sim eles possuem diversos erros. Muitas vezes caem em clichês ou pecam em criar personagens descartáveis, assim como ''A Cure for Wellness''. Mas nenhum deles tinha desperdiçado seu potencial por se achar mais inteligente do que é. 

6,0

 

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