Crítica | Escola de Rock

Crítica | Escola de Rock

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Esse filme deveria ser o manual de como fazer um filme infantil. 

Escrito por Mike White e dirigido por Richard Linklater, "Escola de Rock" conta a história de Dewey Finn, um músico mal sucedido que rouba a identidade do amigo para conseguir um emprego de professor em uma escola, aonde decide fazer de seus alunos sua nova banda de Rock. 

A premissa é típica daqueles filmes de sessão da tarde, quase absurda, e fica ainda mais quando Jack Black faz o papel principal, mas tudo isso é tratado de forma tão excepcionalmente natural por Linklater que compramos cada momento. A turma de crianças é diversificada, e existem muitos estereótipos, é claro, mas cada um deles é trabalhado de forma a procurar o melhor de cada personagem, todos importam, e isso é muito bem destacado. A menina negra acima do peso que tem vergonha de cantar, mas que é a mais talentosa do grupo; o menino tímido e limitado pelo pai que pode ser o novo Hendrix; o menino asiático que não é nada popular, mas encontra no rock uma forma de fazer novos amigos; o valentão sem talentos que se encontra na bateria; o menino afeminado, que em momento algum tem sua índole questionada, ou utilizada para falso moralismo; a agora famosa menina I Carly, talentosa desde jovem, que não tem talentos musicais, mas sucede como administradora da banda. Todos são crianças, e por mais que muitos apontem problemas grandes da sociedade, o filme sucede em não focar nesses problemas, e tratar a todos como especiais a sua própria maneira.  

O roteiro raramente é expositivo em excesso, a naturalidade com que cada desenrolar ocorre aliado a direção espetacularmente precisa de Linklater tornam a história mais realista, quase como se estivéssemos dentro daquela turma, e o humor está na dosagem certa, sempre sendo bem utilizado e em favor do desenvolvimento de cada personagem. A todo o momento o diretor deixa seus atores tomarem conta, desde os pequenos até a diretora da escola, interpretada por Joan Cusack, e é claro sua estrela principal, Jack Black em uma das melhores atuações de sua carreira. Ele é mais do que um personagem ali, a evolução de sua admiração pelas crianças, enquanto continua firme no seu amor pelo rock só não é mais louvável que seus energéticos momentos cômicos, capazes de fazer qualquer criança ou adulto rir. 

"Escola de Rock" acerta em ser um filme natural, com crianças que nunca parecem ser dispositivos narrativos, e sim crianças de verdade. Sem precisar forçar momentos de emoção exagerados, ou conversas e frases de efeito, o filme ainda trabalha a inclusão de forma subjetiva e extremamente efetiva. Além de uma carta de amor ao rock, e um questionamento sobre a rigidez das escolas, aqui é mostrado como cada criança tem um talento, ele só precisa ser encontrado. E com um professor como Jack Black, isso fica muito mais fácil e divertido. 

9

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