Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

"Apes together strong"
 

O que você faria para defender a sua espécie? Se você pensou em violência, talvez esta história não seja tão fictícia assim. Todas as espécies possuem um instinto assassino e quando se trata da defesa da mesma, tudo se eleva ao extremo. 

A única palavra dita para definir este filme é espetacular. Matt Reeves emplaca com uma certeza muito grande nesta guerra, e conseguiu fazer o que nenhum outro diretor da franquia jamais imaginou em fazer. Nos passou sentimento, as perdas realmente nos mostraram a dor e o sofrimento que o personagem está sentindo e não torna tão obvio o que irá ocorrer dessa parte para frente. O filme determina um coadjuvante e um antagonista, "Bad Humans". Woody Harrelson se superou no seu papel como vilão "The Colonel", comandando quase uma nação de assassinos sem emoções. 

O filme é uma batalha entre diálogos, a história é mais do que presente e o sentimento passado é de realismo.

A parte da linguagem utilizada pelos macacos foi toda bem estruturada, assim como surgiram as nossas escritas por meio de símbolos, eles começam direto pelos sinais, como os homens das cavernas, mas com um poder de raciocínio muito maior. Os próprios ambientes transmitem hostilidade para as cenas, momentos na selva passam a tensão de uma batalha que irá acontecer, toda a parte áudio-visual está incrível. O som das gotas de água caindo de uma folha, o som da chuva batendo na roupa, tudo é tão perceptível que se fecharmos os olhos conseguimos materializar a cena em nossas cabeças.

O roteiro se segura na deixa do segundo filme, alguns fantasmas voltam para assombrar os pensamentos de Caesar, o caminho que Andy Serkis teve que percorrer com o seu personagem chegou no seu ápice, tudo se resume nesta guerra, neste confronto final. Para fechar a trilogia de maneira grandiosa, teria que ser tudo esclarecido, sem deixar nenhuma ponta solta. Mas não deixe a seriedade do filme retirar o lado cômico que pode sim haver nesta escuridão. O trabalho deste lado do longa foi concebido a Steve Zahn no papel de "Bad Ape", seus momentos são muito sutis, isso ajuda o filme a estar sempre em andamento, sem tornar tudo muito monótono, e ele é uma peça muito importante para esta obra. Bad Ape também ajuda a construir a personagem de Amiah Miller, atriz mirim do elenco, que está muito bem neste filme. 

Algumas falhas estão presentes no filme, pequenas falhas no roteiro e alguns momentos que faltaram um toque a mais de atenção para finalizar, mas nada que compromete-se por completo uma obra tão bem feita. 

Caesar já é um personagem bem construído até este ponto da história, será que conseguiram adicionar mais coisas a ele? A resposta é sim! Cada etapa da trilogia Caesar passava por algum momento que marcava sua existência, o "abandono" de seu dono no primeiro e a traição de seu amigo Koba no segundo, aqui as coisas acontecem em outro nível, ele precisa enfrentar praticamente o mundo para limpar a sua consciência. 

Diversos temas são abordados pelo filme, o principal deles é a diferença, tudo que é diferente e que nos transmita insegurança, tratamos com hostilidade como mecanismo de defesa. A história humana foi inteiramente assim, relacionada a diferenças e em toda parte da nossa história a violência estava lá presente.

Não há paz sem guerra!

As vezes uma simples fagulha pode causar uma grande explosão, uma trilogia que não tem tanta atenção para o público pode se tornar um marco para o cinema mundial. Podemos abordar a história com esta frase também, algo causou esta fagulha, em um ambiente em que já estava propício para explodir. A motivação de Caesar é explicitamente justificável e a de Colonel é aceitável. Tudo se encaixa perfeitamente, fotografia, efeitos visuais, efeitos sonoros, elenco, história. Na minha visão o final foi digno, tanto para o público que irá assistir quanto para a história como um todo. 

9

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