Crítica | Antes Que Eu Vá

Crítica | Antes Que Eu Vá

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Filmes adolescentes, em geral, ou não querem ou falham miseravelmente em tentarem explorar assuntos mais polêmicos. Em "Antes Que Eu Vá", adaptação do livro de 2010 de Lauren Oliver, vemos uma outra tentativa em abordar um assunto estranhamente recorrente em 2017, que não chega a falhar totalmente, mas assim como outras obras envolvendo tal assunto, erram e muito ao tratar dele. 

Apesar de ter estreado em março nos Estados Unidos, sua vinda ao Brasil não poderia ser mais oportuna. "Antes Que Eu Vá" fala sobre diversos temas, e mesmo que o suicídio não seja o que move a trama, é o principal deles. Aqui, quatro jovens se envolvem em um acidente de carro, o que causa que uma delas viva este mesmo dia repetidamente. Sim, isso já foi feito milhares de vezes. Não, não inova em quase nada. 

O primeiro "grande" trabalho da diretora Ry Russo Young acumula acertos e erros em sua composição geral. A trilha sonora é muito mal utilizada, com músicas demais e auxilio de menos nos sentimentos que o filme procura evocar. O trabalho de câmeras funciona, mesmo que não tente nada novo, e não ofereça nada a não ser planos fechados sobre o que está acontecendo naquele momento, mas o filme anda de forma ok, sem se arrastar ou se apressar demais, mesmo que não atice a curiosidade como poderia e não tenha sequer um momento de tensão ou êxtase. A estrutura do mesmo dia é utilizada de forma convencional, mas destaco diversos traços, pequenos, de simbolismo que o filme atira em quadros, fotos e pinturas, vale a pena prestar atenção nos detalhes. 

O grande problema aqui é a história contada, que não se decide sobre qual caminho quer tomar. Hora um filme sobre rever a sua vida, hora uma crítica ao bullying, hora uma jornada espiritual, horas nada disso, horas tudo. Para se utilizar desse recurso mais do que datado é necessário um roteiro muito convincente, e este não chega perto. Suas atrizes principais elevam um tanto o nível, Zoey Deutch é talentosa e está muito bem como Samantha, e Halston Sage é o carisma em pessoa, mas fora elas o resto do elenco não passa de dispositivos da trama. O aprofundamento de personagens é muito pequeno, e diversos diálogos são daqueles de esconder o rosto. 

"Antes Que Eu Vá" é um filme adolescente que tenta ser mais do que isso, e não falha por completo. Não funcionou para mim, talvez funcione para você, mas o clichê de sua história, a falta de atrativos na direção e o roteiro raso não fazem este filme ser diferente de vários outros. E é claro, sempre que for falar de um tema tão complicado como o suicídio, delicadeza é a palavra principal. Ela está em falta aqui.  

4.5

 

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