Crítica | Batman v Superman: Dawn of Justice

Crítica | Batman v Superman: Dawn of Justice

Colocar George Miller (Mad Max) na produção de "Liga da Justiça" pode ter sido algo realmente bom, pois Batman Vs Superman é uma bagunça, controlada, mas ainda sim uma bagunça. No primeiro filme do homem morcego desde a trilogia de Nolan, o que Zack Snyder conseguiu foi preparar o terreno para a verdadeira história, mesmo que tenha deixado esta de lado. 

Quando Ben Affleck foi anunciado como Batman, fui um dos que protestou. "Demolidor" foi horrível, e Christian Bale é um dos melhores atores em atividade hoje, não parecia uma escolha segura. Fico feliz em dizer que estávamos errados, pois com dedicação total ao papel e a representação mais fiel até aqui de Bruce Wayne, Ben Affleck é a melhor coisa do filme. Por vezes vemos ele em ações comuns, como caminhando ou encarando algo, e o ar e postura são idênticos aos quadrinhos e desenhos mais fiéis. Como Batman, ele é sombrio, e em pelo menos dois momentos é capaz de transmitir o medo que suas vítimas sentem. Também em comparação à trilogia anterior, faltou um pouco de humanização dentro da armadura, que ficou tão boa ou melhor. Batman mata diversas pessoas, e luta com outras várias, mas seus movimentos são engrandecidos, parece que vemos um filme de ação comum e não a naturalidade que Bale passava. 

Henry Cavil, além de se parecer muito com o Superman, faz uma performance sólida. Inofensivo como Clark Kent é verdade, mas imponente e capaz de passar parte dos conflitos internos que afetam o homem de aço. Amy Adams é uma Louis Lane muito boa, e a química dos dois funciona. Gal Gadot não chega perto da grandeza que a Mulher Maravilha passa, mesmo que tenha sido fabricada para isso. Sua performance parece mais de uma espiã, que por vezes me lembra mais Anne Hathaway como a mulher gato, do que de uma rainha amazona que é imponente à primeira vista. Jesse Eisenberg é um excelente ator e um Coringa muito bom, mesmo que digam que seu personagem é o Lex Luthor. O resto do elenco de apoio está superficial, mas bem como um todo. 

Duas horas e meia não é muito tempo quando um filme tem muito o que mostrar, o problema é que BvS acredita ter muito, mas precisa de 45 minutos para dizer alguma coisa. Muitas sub tramas, ainda mais espalhadas por cortes excessivos que por vezes te fazem se perder em meio a tantos acontecimentos, mesmo que boa parte pareça não ter importância. O roteiro não deixou nenhuma fala ruim ou desnecessária, mas é esticado e tudo que acontece parece fadado à ser concluído futuramente. É quase como se tudo estivesse apenas abrindo espaço para o objetivo principal, que também é confuso. Seria o destino de Superman e Lex Luthor, a união da Liga da Justiça, ou a batalha contra o Doomsday.

Em momento algum me peguei bocejando, ou desinteressado pelo que via, mas para aqueles que vêm além do visual do filme (que é realmente muito bonito e realçado pela caracterização dos personagens) a confusão é algo inevitável. Gotham e Metropolis praticamente não são exploradas, e algumas conveniências quanto a proximidade das duas para certos acontecimentos do filme incomodam. Os sonhos de Bruce Wayne não são mal feitos ou mal utilizados, mas desnecessário não é um adjetivo que deva ser descartado. 

No que o filme erra ele também acerta. O tom fúnebre e o roteiro arrastado deixam tudo com um ar de seriedade e intensidade realmente bons e preparados para empolgar. Certas ações rotineiras de cada personagem foram muito bem escolhidas, e tempo de atuação não é desperdiçado em tela. Fosse a meia hora de luta espalhada durante o filme, e teríamos um filme de ação muito bom. Fosse os quinze minutos finais excluídos e guardados para uma continuação, teríamos um drama preparatório muito bom. Tivesse a Mulher Maravilha sendo apenas introduzida, e tivéssemos de aguardar seu filme solo, seria um filme do Batman muito bom. É como foi falado no começo, uma bagunça controlada.

Se o filme tem um verdadeiro problema, ele se chama Zack Snyder, que apesar de conseguir controlar quase tudo, falha em passar qualquer tipo de naturalidade e erra tanto com a câmera como na escolha das cenas. Se ver os dois heróis mais icônicos do planeta era para ser algo empolgante e emocionante, a constante quebra de clima tornou o encontro previsível (obrigado trailers). O recurso do E-Mail para juntar a Liga da Justiça já é preguiçoso por si só, e quando ele corta a ação que demorou tanto pra chegar perdemos um pouco a vontade de ver os heróis que estão sendo introduzidos (o primeiro bem, os outros dois nem tanto).

Tanto Batman como Superman são prejudicados por enfoques estranhos, exemplo quando o Homem de Aço lança seus lasers pela primeira vez e vemos a parte de trás da sua cabeça, como em um videogame. As cenas de perseguição me lembraram Liam Neeson 1, 2 e 3, e toda a situação com Doomsday me pareceu muito semelhante à Homem Aranha 3. O CGI salta aos olhos quando os destroços da nave aparecem, e uma explosão de energia já não é algo muito palpável, imagine mais de cinco quase em sequência. O uniforme da Mulher Maravilha é tão reluzente que chega a parecer que a atriz também é computadorizada, e a batalha é tudo menos realista e ainda foi piorada por um Rock completamente fora de local (pela situação, Beyoncé não seria mais adequado?). Uma bagunça, que acaba perdendo o controle quando mais necessitava dele. 

Batman Vs Superman é quase um filme espetacular, e quase um desastre também. É quase um excelente drama e quase um bom filme de ação. Quase prepara a Liga da Justiça e é quase um filme inicial do Batman. Apresenta uma Mulher Maravilha quase boa, e um Batman quase perfeito. Um filme muito bom de certa forma, mas incompleto e apressado de outra. Pode muito bem servir seu propósito de começar de vez o universo cinematográfico da DC, consolidando um de seus heróis principais e apresentando outro de forma muito boa, a questão é se o objetivo do filme era realmente esse. 

7.1

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